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Iberdrola "ajuda" Madrid a mudar lei da concorrência

 

O presidente da Iberdrola, Ignacio Sánchez Galán, enviou esta semana um recado nada criptado ao governo espanhol e às autoridades comunitárias em relação ao dossier de revisão da legislação de fusões e aquisições no sector energético. Depois de descartar qualquer iniciativa, no actual contexto legislativo e jurisprudencial, para um processo desse tipo envolvendo a Iberdrola, Ignacio Galán avançou com uma série de "ses" que determinarão, ou não, a sua vontade em pensar num crescimento não orgânico da empresa. Questões tarifárias e de participações cruzadas de capital entre empresas do mesmo sector deverão também estar na ordem do dia.

O principal responsável pela segunda maior companhia do sector energético em Espanha lembrou que, com as actuais restrições, "é um facto que, em Espanha, ainda não foi conseguida nenhuma das operações [fusão e aquisição] que foram tentadas", o que, a seu ver, lhe dá razão para não tentar sequer inverter a tendência.

Durante a semana que agora termina, vários responsáveis do Governo de Madrid, entre os quais Pedro Solbes, ministro da Economia, aludiram à hipótese de mudar as regras no sentido de uma maior abertura à concentração. Mas ainda sobram os mecanismos comunitários. A este respeito Ignacio Galán referiu, na apresentação do Plano Estratégico 2007-2009, efectuada na passada quarta-feira em Madrid, que preferia "menos livros, brancos, azuis, verdes ou amarelos" (numa alusão aos estudos que a Comissão regularmente faz sobre os diversos sectores económicos) e mais "liberalização".

A questão tarifária e dos mercados regionais foi também abordada de forma crítica pelo homem-forte da Iberdrola. Ignacio Galán deseja "acabar com as tarifas reguladas" e caminhar "para uma liberalização total do mercado". Por outro lado, criticou os mercados regionais, "que só servem para cada um continuar a mandar em sua casa e pescar algo mais nas ilhas do vizinho", pronunciando-se em vez disso pela implantação de um "mercado comunitário global. "O espírito europeu é esse, liberdade de movimentos para pessoas, mercadorias... porque é que no sector energético deveria ser diferente", interroga-se o patrão da Iberdrola.

Apesar da aparente decepção com o ambiente regulatório, Ignacio Galán não descartou a hipótese de "continuar os contactos fora de Espanha para ver se há oportunidades" de crescimento não orgânico". Mas negou completamente os rumores de fusão com a Unión Fenosa que esta semana circularam em Espanha, após a entrada no capital da Iberdrola da construtora ACS. Esta detém cerca de 35% do capital da Unión Fenosa.

A questão da dimensão versus concorrência não tira o sono a Ignacio Galán, que demonstrou o seu acordo com afirmações produzidas há dias pelo ministro da Indústria, Joan Clos, o qual se mostrou sensível a viabilizar um mercado interno espanhol apenas com duas grandes empresas no sector eléctrico. "Temos que saber se queremos ser anões ou gigantes", sustentou o presidente-executivo da Iberdrola.


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