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Geox quer nova fábrica de calçado

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Diana Mendes  

A Geox está a preparar a "abertura de novos centros de produção de calçado", e apontou Portugal como um destino possível. Mario Moretti Polegato, o fundador e presidente da empresa italiana, disse ao DN que "o trabalho vai aumentando e que a médio prazo vai ter de criar uma nova fábrica", embora ainda não esteja definida uma data.

Mario Polegato, o criador da patente que gerou os sapatos que respiram, esteve em Portugal para inaugurar a nova loja de Cascais, a quinta que Portugal recebe desde 2003. O País é "muito importante para o nosso negócio, já que podemos liderar o mercado", afirmou Polegato. A marca está em terceiro lugar no ranking mundial do calçado confortável, logo depois das marcas Clarks e Ecco, com vendas de 600 milhões de euros previstos para 2006.

Em Portugal, onde existem para já 107 lojas multi-marca com sapatos Geox, o masterfranchise pertence à empresa Luís, Vitaliano e Luís, que investiu em quatro das cinco lojas já abertas. Os planos da empresa passam por "chegar às 15 lojas, o máximo que Portugal permite", disse Luís Mota, um dos administradores.

Por enquanto, "o contrato com a Geox tem previsto uma rede de dez lojas até 2009, o que vai justificar um investimento de cinco milhões de euros", acrescentou outro administrador, Luís Ferreira. A facturação esperada para "este ano será de dois milhões de euros". As próximas aberturas estão marcadas para o novo Dolce Vita Tejo (Amorim), havendo já planos para dois estabelecimentos no Porto e um em Oeiras.

A empresa já está cotada em bolsa e "tem uma capitalização de 2,7 mil milhões de euros", disse o presidente, frisando que os investidores (fundos estrangeiros) já ganharam 50% com a aposta na Geox". Os números são claros: três mil trabalhadores, dez mil lojas multi-marca e 500 lojas próprias em 68 países. Um bom crescimento para um empresário que nada percebia de calçado.

"Venho de uma família ligada aos vinhos", explicou Mario Polegato. Mas foi a formação em enologia e uma visita de trabalho nos EUA que lhe deu o corebusiness. "Decidi passear na montanha e depois de tanto transpirar dos pés decidi furar as solas das sapatilhas. Como vi que resultou, comecei a trabalhar numa tecnologia que permitisse a saída da transpiração e que fosse impermeável."

Depois de tentar vender (sem sucesso) a patente a grandes empresas, decidiu criar uma fábrica há dez anos. Hoje, é a empresa número em calçado confortável e foi a que mais cresceu em facturação na Itália.

Na Península Ibérica, as vendas passaram os 65 milhões de euros. E há projectos para incrementar as áreas de negócio: "é possível que venhamos a entrar no calçado de desporto, mas ainda não sabemos quando", disse o criador. Ao calçado, juntaram-se peças de vestuário, como o casaco que respira, acessórios e colecções de senhora e criança.

O número de patentes já passou dos 35 e os objectivos estabelecem mais. Questionado sobre a hipótese de vender os direitos da patente de borracha dos sapatos, o seu objectivo inicial, Mario Polegato respondeu sucintamente: "Queremos fazê-lo sozinhos."


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