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Mona Lisa afinal sorria porque tinha sido mãe pela segunda vez

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Filomena Naves  

Há uma nova teoria para o misterioso sorriso da Mona Lisa: afinal a senhora do quadro tinha acabado de dar à luz. A conclusão é de um grupo de investigadores canadianos e resulta de um estudo com uma técnica de imagiologia numérica por laser, a cores e em 3D, que permitiu olhar "para dentro" da pintura e ver o que nunca tinha sido visto antes.

De acordo com os cientistas do conselho nacional de pesquisas do Canadá (CNRC), que fizeram o trabalho a pedido do Museu do Louvre, a Gioconda tem vestida uma cobertura de tule fina e transparente, que está presa à gola de uma peça de vestuário que ela tem por baixo, e que normalmente era usada na época pelas mulheres grávidas ou que tinham acabado de dar à luz.

"Este quadro foi pintado para comemorar o nascimento do segundo filho de Mona Lisa. É uma mulher que acaba de ter um filho, que se volta para nós, nos fixa, e que sorri ligeiramente", explicou ontem, em Otava, no Canadá, Bruno Mottin, conservador do centro de pesquisa e restauração dos museus de França, na conferência de imprensa que divulgou os resultados do estudo.

A tecnologia utilizada, que tem a precisão de um mícron - equivalente a um décimo do diâmetro de um cabelo humano -, e que passou também pela reflectografia por infravermelhos, permitiu ver através das várias camadas de tinta e mostrou outra surpresa. A Gioconda tem os cabelos apanhados atrás, tal como se usava na época, e cobertos por uma touca atrás. Pensava-se que ela tinha o cabelo solto, mas isso sempre foi inexplicável para os historiadores, já que, na época, só as mulheres de má fama usavam o cabelo solto, e esta era a mulher do comerciante florentino Francesco del Giocondo.

Resolvidos estes enigmas, "não resta no quadro nenhum mistério como o do Código Da Vinci, de Dan Brown", gracejou Bruno Mottin, sublinhando que o quadro contém toda a técnica do mestre. "Foi esse mistério que agora descobrimos."

A análise mostra que a Mona Lisa está bem conservada e que, se for tratada como até agora, terá uma longa vida. "O estudo não nos ajudou apenas a aprofundar a técnica do sfumato de Da Vinci, com efeitos vaporosos muito sombreados, servirá também para resolver os problemas da sua conservação", disse o director do Louvre, Henri Loyrette.

As imagens em 3D mostram ainda as pinceladas, que não são visíveis a olho nu porque a camada de tinta é muito suave e uniforme, e revelam que neste quadro, Da Vinci não usou directamente os dedos, como fez em outras obras. A razão? Não se vêem impressões digitais.


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