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por
Sérgio Aníbal
A forma como funcionam as empresas portuguesas é o factor, a seguir ao difícil quadro macro-económico que atravessa o país, que mais está a prejudicar a competitividade nacional, em contraponto com classificações mais positivas nas áreas da saúde e ensino básico, qualidade das infra-estruturas e instituições públicas, mostra o relatório anual ontem publicado pelo Fórum Económico Mundial (FEM).
Portugal perdeu este ano três lugares no índice global da competitividade calculado por esta entidade (um dos mais seguidos a nível mundial), passando a ocupar a 34.ª posição entre 125 países. O factor negativo mais marcante na classificação portuguesa é o das condições macro-económicas, onde o baixo ritmo de crescimento, o elevado défice público e o avultado desequilíbrio das contas externas, colocam o país como o 80.º pior nesta componente. E em todos estes capítulos, a situação deteriorou-se em 2005, ano de referência para a recolha dos indicadores económicos quantitativos.
Logo a seguir, pela negativa, surgem não os custos de contexto ou a qualidade das instituições públicas muitas vezes referidas nos meios empresariais, mas sim a forma como as empresas funcionam e definem as suas estratégias. Na componente de sofisticação dos negócios, que mede factores como o processo produtivo, a estratégia de marketing, a capacidade de delegação de competências e presença de cadeias de valor acrescentado, Portugal não consegue melhor que a 43.ª posição.
Também na componente da qualidade das instituições, o FEM distingue entre as existentes no sector público e no sector privado, ficando estas últimas mais uma vez a perder. Ao nível das instituições públicas, Portugal consegue o 23.º lugar no ranking mundial, conseguindo ultrapassar vários países da Zona Euro. Mas nas instituições privadas cai para o 31.º lugar.
Outro indicador que revela as debilidades relativas do sector empresarial português é o indicador de competitividade nos negócios, também apresentado, e onde Portugal fica na 28.ª posição entre 121 países. Este indicador tem duas componentes. Enquanto no sub-índice relativo à qualidade do ambiente de negócios, Portugal consegue o 26.º lugar (o 11.º entre os países da União Europeia), no subíndice da sofisticação das operações e estratégia das empresas não ultrapassa o 40.º lugar (15.º na UE). Isto parece querer indicar que , a forma como as empresas portuguesas funcionam não tira totalmente partido das condições de negócio que o país oferece.
Apesar de ao nível das grandes componentes sobressair uma visão mais negativa do funcionamento do sector privado, em alguns indicadores específicos cuja responsabilidade tem pertencido ao sector público, a posição portuguesa é extremamente negativa. Os casos mais evidentes são o ensino da matemática e da ciência, a legislação laboral e os custos da política agrícola.
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