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por
João Abel de Freitas
Economista
Uma matriz quantificada da actividade. Uma definição de estratégia global (umas quantas ideias - poucas - apontando caminhos de futuro). Uma definição estratégica de destinos turísticos. Por exemplo, possuirá o Litoral Alentejo recursos específicos para um novo destino? Os grupos económicos portugueses de maior pujança, no sector, marcam ali presença. E em que tipo de turismo apostar? Tradicional praia? Golfe? Natureza? Saúde? Um mix? Que segmentos novos lançar, no País, sem deixar de reforçar os existentes? Será o "turismo da descoberta económica" um domínio a potenciar? Em França, este segmento movimenta cerca de 16 milhões de turistas. No Japão, EUA, Alemanha, o seu impacto é ainda mais relevante, pois capta 40% do número de turistas.
Teremos recursos para este segmento? Muitos. Uma História e percursos de trajectos económicos e sociais (inexplorados) em diversas áreas e territórios, uma situação presente a conhecer (as empresas) e algo em andamento sobre o futuro (laboratórios, outra investigação).
O turismo da descoberta económica é dar ao turista a possibilidade de usufruir estes recursos trabalhando-os. Explorá-los de forma articulada é materializar o que P. Drucker dizia: "A inovação constitui a relação que transforma um jogo de elementos existente em algo novo, por conseguinte, cada um se conjuga com uma nova eficácia marginal numa poderosa rede integrada", citado numa publicação francesa recente do Conseil National du Tourisme, Tourisme et Innovation, na qual se coloca o processo de inovação como o principal vector de sustentabilidade futura da actividade turismo.
Inovar é, pois, encontrar as melhores formas de potenciar os recursos e, para isso, são necessárias pessoas e enquadramento.
O País ainda não se reencontrou nesta matéria e menos ainda no turismo, até porque a inovação é um conceito assumido tão recentemente como o próprio sector em termos económicos que não posso deixar de recuar alguns anos e relembrar o que me dizia um alto dirigente do turismo quando desafiado para escrever sobre a inovação: "Inovar é lá na indústria."
Insistentemente se veicula para a sociedade civil a ideia de que o turismo é, em Portugal, um sector estruturante da economia.
A sua visível pujança mundial, os cenários produzidos na OMT no horizonte 2020, o efeito low-cost no transporte aéreo, a reunião de uma série de recursos específicos no nosso país, uma certa consolidação recente de grupos económicos nacionais no sector, as dificuldades em encontrar áreas estratégicas que se coadunem com o nosso grau de desenvolvimento e/ou a hesitação política em apontar domínios preferenciais de desenvolvimento são a origem desta ideia.
Exactamente por isso, há que dar o devido cuidado aos recursos existentes para que não "se esbanjem" ou sejam apropriados de forma pouca adequada aos interesses nacionais.
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