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Clima económico melhora em Agosto apesar de nova queda do investimento

por

Sérgio Aníbal  

Mais encomendas provenientes do exterior, melhoria da confiança dos consumidores e menos desemprego: as expectativas das famílias e das empresas durante o mês de Agosto parecem apontar para a manutenção da recuperação da actividade económica, tornando mais provável um crescimento do PIB próximo de 1,5% no final do ano.

A Síntese Económica de Conjuntura, ontem divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística, ainda não tem dados concretos sobre a actividade económica em Portugal durante o passado mês de Agosto. No entanto, já existem dados qualitativos - com os resultados dos inquéritos feitos junto das famílias e das empresas com a sua opinião sobre a situação económica e as expectativas para o futuro - que permitem antecipar com alguma segurança aquilo que vai acontecer.

O resultado desses inquéritos aponta para uma melhoria da situação ao nível do consumo, a manutenção de uma tendência favorável no comércio externo e uma maior confiança na evolução do mercado de trabalho. Apenas ao nível do investimento, as expectativas continuam a deteriorar-se.

O indicador de clima económico - que agrega as expectativas existentes nestas várias componentes - passou de 0,2 pontos em Julho para 0,5 pontos em Agosto, atingindo o valor mais alto dos últimos dois anos. Por sua vez, o indicador de actividade económica - que inclui já os dados concretos da actividade económica - manteve-se inalterado nos 0,4 pontos em Julho, travando a tendência de descida que se tinha verificando durante os últimos meses.

As boas notícias, ao nível das expectativas, surgem novamente ao nível da procura externa. O indicador relativo às encomendas provenientes do estrangeiro continuou a subir em Agosto, fazendo antever a manutenção de uma taxa de crescimento das exportações bastante elevada.

Por outro lado, o consumo privado, que tem estado quase estagnado durante a primeira metade de 2006, pode registar uma ligeira recuperação nos últimos meses do ano. Isto se vier a confirmar-se na prática o aumento da confiança dos consumidores registada em Agosto.

No investimento, que no primeiro semestre do ano já foi a componente do PIB com um contributo mais negativo para o crescimento, é que não se podem antecipar grandes melhorias, uma vez que os indicadores já disponíveis para o mês de Agosto mostram que a tendência é ainda para um agravamento da situação.

Ainda assim, como as probabilidade de consolidação de uma retoma são agora mais fortes, as expectativas de desemprego apresentadas pelas empresas em Agosto voltaram a diminuir, algo que já acontece desde Fevereiro. Neste momento, este indicador situa-se no valor mais favorável dos últimos quatro anos.


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