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Vida marinha ganhou 50 novas espécies

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Filomena Naves  

Tubarões malhados que caminham sobre as barbatanas no fundo marinho, bodiões cinzentos que ganham tons de amarelo, azul-eléctrico e púrpura espectaculares na fase de acasalamento, corais nunca antes vistos. A descrição é a de um paraíso de vida marinha e a convicção dos biólogos que a anunciam é exactamente essa. A novidade são 50 novas espécies de peixes, corais e crustáceos para a ciência estudar.

O "paraíso" fica em Raja Ampat (ou cabeça de pássaro), no lado indonésio da ilha de Papua e uma expedição que ali se realizou nas últimas semanas descobriu pelo menos meia centena de espécies até agora desconhecidas. Os investigadores da Conservation International (CI), uma organização norte-americana para o estudo e conservação da natureza, que lideraram a expedição, acreditam que esta é a região marinha do planeta mais rica em biodiversidade.

Raja Ampat não fica muito distante, aliás, dos Montes Foja, situados também na zona indonésia da ilha de Papua, onde outra expedição liderada por investigadores da mesma Conservation International descobriu no início deste ano algumas dezenas de novas espécies terrestres.

Porém, ao contrário dos Montes Foja, que até à data permaneceram praticamente intocados pela mão humana, Raja Ampat revela "algum impacto da actividade humana" - leia-se pescas -, sobretudo no que respeita aos corais, de acordo com a CI. A organização defende, por isso, a conservação do local como "uma prioridade", já que "há planos para a intensificação das pescas naquela zona", sublinha.

"Há cinco anos realizámos uma expedição às ilhas ao largo de Raja Ampat e pareceu-nos logo que deveria situar-se ali o epicentro da biodiversidade marinha do planeta", explicou Mark Erdmann, o biólogo da CI que liderou a expedição.

Consultor do governo indonésio para a conservação marinha, Erdmann decidiu voltar à região para realizar uma observação e registo exaustivos de espécies em toda aquela zona. E o saldo ultrapassou as expectativas dos biólogos. "Estamos completamente maravilhados com o que encontrámos", garantiu o líder da expedição à BBC News online. Ao longo de seis semanas, os investigadores conseguiram identificar oito novas espécies de camarão, 24 de peixes e outras 20 de corais, que até agora eram completamente desconhecidas. Entre as novidades estão pelo menos duas novas espécies de pequenos tubarões, que se deslocam no fundo marinho, usando as barbatanas como apoio. Os outros são na maioria peixes bodiões.

Raja Ampat é um dos cantos do triângulo de coral definido pelas linhas costeiras da Indonésia, Malásia, Filipinas, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e Timor-Leste, onde se albergam 600 espécies distintas de corais. Uma diversidade superior à que existe na Grande Barreira de Coral Australiana que, em contrapartida, é dez vezes mais extensa do que aquela.

A riqueza de espécies tem a ver com a diversidade de habitats que ali se encontram, com uma mistura de águas mais profundas e menos profundas, e com algumas bacias relativamente isoladas.


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