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Manequins demasiado magras proibidas de desfilar em Madrid

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Sónia Morais Santos  

A decisão do governo regional de Madrid está a agitar o mundo da moda. As manequins demasiado magras estão proibidas de desfilar. A medida foi tomada como forma de combater a anorexia e a bulimia entre jovens mulheres. Os organizadores da Pasarela Cibeles, um dos mais conceituados desfiles de moda da Europa (e cuja 44.ª edição arrancou ontem), congratularam-se com a medida e já rejeitaram a participação de cinco manequins, justamente pela sua excessiva magreza.

Espanha torna-se assim o primeiro país a aplicar normativas que regulam o sector da moda, proibindo modelos demasiado magras e criando "critérios de saúde" mínimos. Assim, por muito bonita e talentosa que uma manequim seja, se tiver um índice de massa corporal abaixo dos 18 (1,75 metros de altura para 56 quilos, por exemplo), ou se esforça por engordar ou pode esquecer os desfiles.

Cuca Solana, directora da Pasarela Cibeles, defendeu a decisão, afirmando que medidas idênticas "deviam ser aplicadas em todos os certames de moda". De acordo com o governo regional de Madrid, 30 a 40 por cento das mulheres que têm participado em anteriores desfiles são demasiado magras, transmitindo um ideal de beleza "irreal e perigoso".

A par do controle da massa corporal (valor que se determina dividindo o peso pelo quadrado da altura), as medidas estreadas em Madrid incluem regras para impedir a participação de manequins com menos de 18 anos e que a maquilhagem usada simule rostos demasiado magros e doentios.

"Caça" à magra alastra

A rejeição da magreza já está a ter seguidores. A semana de Moda de Valência, por exemplo, foi ainda mais longe, determinando que só modelos com tamanho 38 podem participar nos seus desfiles. E até a ministra da Cultura britânica, Tessa Jowell, pediu este sábado que a Semana da Moda de Londres siga o exemplo da Pasarela Cibeles de Madrid e exclua as manequins excessivamente magras dos desfiles.

Em comunicado, a ministra disse que a promoção pela indústria da moda de um conceito de beleza ligado à magreza extrema está a prejudicar a saúde das adolescentes: "As meninas sonham parecer-se com as modelos das passarelas. Quando essas modelos estão abaixo do peso normal de uma forma doentia, isso pressiona as jovens a passarem fome para ter um aspecto semelhante."

Fátima Lopes indignada

A estilista e directora da agência Face Models, Fátima Lopes, considerou a medida "ofensiva, discriminatória e ridícula". Para a estilista, a decisão mais não faz do que "transformar a moda um bode expiatório" de uma doença com causas "muito mais profundas". Além disso, considera que há mulheres "naturalmente magras mas que não estão doentes e que vão ser discriminadas por uma regra ridícula." Qualquer dia, acrescenta, "as manequins também não podem ser bonitas porque senão as feias ficam perturbadas."

Em Portugal, explica a directora da Face, "as manequins não são muito magras e, por isso, uma medida dessas não teria muitas consequências". Já em Paris, Milão e Nova Iorque, "teria graça assistir a uma decisão dessas". Fátima Lopes ri-se: "Estamos a falar de manequins naturalmente magras! Ficavam todas de fora!"

Já Ana Borges, da agência Elite, concordou com a medida espanhola "por chamar a atenção para um problema que é grave". Porém, apressou-se a discordar da associação directa entre a anorexia e a moda. Sobre a eventualidade de uma medida destas ser aplicada em Portugal, Ana Borges disse: "Esta medida tem sido aplicada nas nossas passarelas desde sempre e sem alaridos. Temo-lo feito por uma questão de bom senso e, na minha opinião, de bom gosto."

Falsa moralização

Para Tó Romano, director da Central Models, a rejeição de manequins demasiado magras levada a cabo pela Cibeles é mais uma falsa moralização e uma campanha de marketing do que uma medida séria: "Há sete anos a Cibeles levantou este mesmo problema e garantiu que nenhuma manequim com tamanho abaixo do 38 desfilaria. Porém, nesse ano o casting foi rigorosamente igual ao dos outros anos. Em termos de marketing foi fantástico mas, na prática, nada mudou."

Tó Romano divide-se. Por um lado considera a associação da magreza das manequins à anorexia um exagero mas, por outro, é o primeiro a admitir que "o mundo da moda às vezes ultrapassa os limites e é bom que se discutam estas matérias, a bem da saúde". De resto, explicou, "cada vez mais o que as agências e os próprios clientes pretendem é uma imagem saudável. E uma anoréctica não cabe nesse padrão."


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