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Novos artesãos no Jardim da Estrela

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Marina Almeida  

"Nós somos o Entulho" diz, tímida, Ângela Anciães. A artesã ocupa uma das duas dezenas de bancas que este fim-de-semana dão novo colorido ao Jardim da Estrela numa feira em que se procuram novos materiais e que quer afirmar-se pela diferença.

À sombra das árvores do jardim, com os sinos da Basílica como poderosa banda sonora, Ângela mostra os pins feitos de ladrilhos resgatados de catálogos que "as lojas deitam fora", as blusas em que reuti- lizou restos de tecido e as originais saias feitas de chapéu-de-chuva. Já vendeu quatro desde que, há três meses, se lançou no atelier Entulho. "São óptimas para viajar, nunca se amachucam e são fáceis de arrumar", diz enquanto enrola o tecido plastificado, ainda com os apoios das varetas, e o prende com o respectivo atilho. Este Inverno, a jovem desempregada com formação na área do estilismo garante que vai estar atenta às ruas nos dias de chuva puxada a vento. "O lixo de uns é o tesouro de outros", diz.

"Queremos que esta seja uma feira alternativa e não mais uma feira de bijutaria", considera Florbela Salgueiro, uma das organizadoras de Há Estrelas no Jardim. A iniciativa, que ontem deu o seu primeiro passo, pretende afirmar-se com um conceito próprio. "Queremos que as pessoas olhem os materiais que as rodeiam e encontrem uma nova utilização", disse ao DN. A feira, que hoje decorre entre as 09.00 e as 20.30, regressa ao jardim nos primeiros domingos de cada mês. Mafalda Barbosa, outra das mentoras do projecto, diz estar "muito optimista em relação a Outubro" com 37 inscrições já confirmadas.

A ideia, desde o início apoiada pela Junta de Freguesia da Lapa, deixa o seu presidente, Nuno Ferro, muito satisfeito. "Quero ver as ruas do jardim cheias de artesanato", diz ao DN. Apontando alguns problemas do jardim que está na sua freguesia mas sob a tutela da câmara: buracos na calçada, falta de iluminação, segurança insuficiente. Para Nuno Ferro, tudo seria mais fácil se este espaço verde fosse gerido pela junta e não pela autarquia.

Os novos artesãos atraem olhares curiosos. Os insectos em pasta de papel ou as fruteiras em discos de vinil amolgados de Ana Cunha (atelier Ideias dos Diabos); os sacos feitos de embalagens de café e os atoalhados de cozinha feitos por Filipe Nogueira; as velas coloridas do Fio de Luz de Alexandra Carvalho;

Maria Helena Fernandes, de 71 anos, deixa-se comover com uns sapatinhos de lã cor-de-rosa que saem das mãos de uma jovem artesã. "Iguaizinhos" aos que fazia para as filhas quando eram pequenas.


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