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Engenharia portuguesa sob comando espanhol

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Manuel Carlos Freire  

O Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) aprovou ontem, por unanimidade, o envio de uma companhia de engenharia para integrar a missão da ONU no Líbano (FINUL).

Segundo o comunicado lido no final da reunião extraordinária do CSDN, os membros do Conselho presidido pelo Chefe do Estado, Cavaco Silva, "deliberaram por unanimidade dar parecer positivo" ao envio de uma companhia de "engenharia de construções" cuja dimensão poderá atingir os 140 efectivos.

Esta unidade do Exército - que incluirá, além dos equipamentos pesados para remoção de entulho e construção de infra-estruturas, pequenos módulos de apoio logístico (médico, sanitário, alimentação) - deverá ficar integrada na brigada multinacional da ONU estacionada no chamado sector B (Sudeste do Líbano, junto à fronteira com a Síria) e sob comando espanhol, disseram ao DN fontes castrenses.

A posição do CSDN surgiu um dia depois de se saber que o principal chefe militar espanhol, general Félix Sanz, se reúne amanhã com responsáveis militares de Portugal, Polónia, Finlândia e Bélgica - o que significa que a opção pelo envio da companhia de engenharia já tinha ficado assente na fase de planeamento da componente europeia da FINUL. O próprio quadro publicado ontem pelo diário espanhol El País, com as contribuições anunciadas pelos vários países, indicava que Portugal já propusera o envio de soldados (mas em número não especificado).

O CSDN é o órgão de consulta do Presidente da República para as questões de defesa e das Forças Armadas. Além de Cavaco Silva, têm ali assento o primeiro-ministro e os ministros da Defesa, Negócios Estrangeiros, Finanças, Economia e Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Além dos quatro chefes militares, integram-no também os representantes da República para os Açores e Madeira, os presidentes dos Governos regionais e dois deputados da Comissão Parlamentar de Defesa.

Doadores

Portugal, que participa hoje na Conferência de Estocolmo sobre o Líbano com outros países doadores para angariar 400 milhões de euros de ajuda imediata à reconstrução daquele país, ainda não definiu a sua contribuição.

"Portugal não vai anunciar qualquer tipo de ajuda. Vai participar numa reunião que é sobretudo de concertação entre os doadores relativamente a um documento a apresentar pelos governos do Líbano e da Suécia, definindo um processo de recuperação rápida", disse o chefe da delegação nacional, Augusto Manuel Correia. Este responsável, citado pela Lusa, adiantou que o Governo libanês já indicou os sectores em que precisa da ajuda internacional, entre os quais os da saúde, educação ou rede rodoviária. Mas, para já, a principal tarefa dos doadores será a de "perceber se há repetições" e se "vai haver dinheiro suficiente", observou Manuel Correia.


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