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por
António Pires Vicente
em Vila Franca de Xira *
A Companhia das Lezírias (CL) não vai ser privatizada, garantiu ontem o ministro da Agricultura, Jaime Silva, que apresentou, no complexo da empresa, em Samora Correia (Benavente), uma nova estratégia de gestão para aquela que é a maior exploração agro-pecuária e florestal do País, localizada ao lado de Lisboa, do outro lado da Ponte Vasco da Gama e da ponte de Vila Franca de Xira, compreendendo 20 mil hectares de floresta, charneca e solos férteis.
O modelo preconizado pelo titular da Agricultura, ao contrário do anterior, que apontava para a redução dos riscos, visa a criação de valor acrescentado e aposta em novos desafios, como o aumento da área de vinha e olival, a produção de carne de bovino de alta qualidade e o vitelão biológico.
O novo plano de ordenamento florestal, a produção de arroz carolino de elevada qualidade e o centro de interpretação ambiental são outras das apostas da CL, que, segundo anunciou Jaime Silva, passa também a integrar o Serviço Nacional Coudélico, organismo que tem por objectivo fomentar, melhorar e divulgar a equinicultura nacional, bem como promover os valores histórico-culturais relacionados com o cavalo.
Vítor Barros, presidente do conselho de administração da companhia desde Dezembro do ano passado, assumiu, em declarações ao DN, que o seu objectivo prioritário na gestão da megaempresa agrícola é "a consolidação do conceito de herdade-modelo". O grande desafio da empresa, segundo o responsável, "é realmente a produção de carne de bovino de qualidade, que já está à venda numa grande superfície em Lisboa, e que partiu praticamente do zero", mas "há também uma aposta na produção de vinhos de qualidade nos vários segmentos de consumidores e no projecto para um terreno onde vão ser plantados mais 16 hectares de olival". Actualmente, a CL conta conta com 120 hectares de vinha.
O presidente da CL revelou que a instituição se está a preparar para viver com cada vez menos subsídios da Política Agrícola Comum, conseguindo no mercado a obtenção das receitas necessárias para ela viver e para cumprir os seus compromissos. Contudo, Vítor Barros admitiu que a empresa, constituída há 170 anos, "não conseguiria neste momento sobreviver sem o montante de subsídios que recebe do Estado".
Fundação
A CL criar uma fundação para preservar o cavalo da raça lusitana, anunciou ainda o ministro Jaime Silva durante da visita.
"A Companhia das Lezírias vai criar uma fundação com entidades privadas, mecenas, câmaras, banca e outras instituições da sociedade civil, com o objectivo de as envolver na preservação do cavalo lusitano", disse o governante.
Segundo Jaime Silva, "a nova fundação surge na sequência da integração do Serviço Nacional Coudélico e da Coudelaria de Alter do Chão na Companhia das Lezírias".
"A nova estratégia da Companhia das Lezírias deve constituir um exemplo de gestão com uma lógica empresarial privada - agrícola, agro-pecuária e turística, tendo como elemento fundamental a vertente ambiental", salientou o ministro.
Em relação ao turismo ambiental, está previsto o seu de-senvolvimento. A companhia vai retomar o funcionamento da quinta pedagógica e apostar na criação de um observatório de aves.
Por seu turno, o presidente da CL, Vítor Barros, afirmou que foram já investidos 1,5 milhões de euros este ano para pôr em prática a nova estratégia definida pela companhia, prevendo que este valor ascenda a cerca de 2 milhões de euros no final do ano. O volume de vendas atingiu os 4,5 milhões de euros no ano passado, prevendo-se que atinja os 4,8 milhões de euros no final do ano. A companhia obteve um lucro de 210 mil euros em 2005, mas "o resultado líquido no final do ano deverá ser superior ao valor de 2005", de acordo com Vítor Barros. * Com Lusa
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