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E agora? Rosa Barros ficou desempregada aos 49 anos

por

Maria João Caetano  

Nos primeiros dias parecia que não tinha forças. Esperava que o marido e a filha mais nova saíssem para os seus trabalhos e deixava-se ficar na cama, atrasando ao máximo o momento em que teria de se levantar para não fazer nada. "Uma pessoa queixa-se do trabalho, mas quando não o tem é muito pior", conclui Rosa Barros, 49 anos, desempregada desde Dezembro, quando a empresa onde trabalhava fechou mais uma das suas fábricas.

Rosa já tinha ficado desempregada antes mas "era mais nova, foi tudo diferente". Desta vez foi-se abaixo. Faltavam-lhe o despertador pela manhã cedo, os dias preenchidos, as amigas da linha de montagem. Faltavam-lhe perspectivas: "O que é que eu vou fazer?"

Este desânimo não era habitual. Fátima, que veio do Minho para a zona de Loures quando se casou aos 21 anos, é uma lutadora. Em miúda só estudou até à quarta-classe e começou cedo a ajudar os pais nos trabalhos do campo. Já com aliança no dedo, completou o sexto ano de escolaridade enquanto trabalhava no comércio. Foi fazendo o resto, aos poucos, até ao nono ano, e teria ido mais longe se não fossem "as miúdas". Ao mesmo tempo que educava as três filhas vendia porta-a-porta, livros e não só. Por falta de capital, deixou de lado o sonho de ter uma pastelaria, trabalhou numa fábrica de lentes e estava há 12 anos na Delphi quando foi empurrada para o Fundo de Desemprego.

Nos primeiros meses, "nem ao café ia". "Só quem passa por isto é que sabe", diz, com os olhos já humedecidos. Depois, com a ajuda do neto de sete anos, começou a reagir, tornou-se assídua leitora das páginas de classificados dos jornais. "Raramente aparece alguma coisa." Um dia, respondeu a um anúncio para ajudante de cozinha mas não passou do contacto telefónico. "Assim que disse a idade não quiseram saber mais nada. Não percebo. Ainda tenho tanto para dar. Eu até não me achava velha mas pelos vistos sou."

Rosa corre contra o tempo. "Depois dos 50 é ainda pior" , reconhece. Está disposta a fazer todos os cursos de formação que existirem e não recusa nenhuma proposta. Por estes dias estará a inscrever-me para uma grande superfície, "alguma coisa" há-de haver lá para fazer. Mesmo que não seja equivalente ao emprego que tinha antes. E até já se ri da situação: "Claro que não me vão pôr numa caixa, a gente vai lá e vê que são só meninas."


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