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por
Maria João Caetano
Natascha Kampusch, a menina austríaca que a 2 de Março de 1998 desapareceu a caminho da escola, foi encontrada, anteontem, a vaguear no jardim de uma casa em Strasshof, nos arredores de Viena. A polícia espera ainda os testes de ADN para comprovar a identidade mas tudo indica que será mesmo Natasha: foi com esse nome que se apresentou e tem uma cicatriz na orelha semelhante à da desaparecida.
Natascha tem agora 18 anos. Parece estar de bem de saúde e manter as suas faculdades (a polícia confirmou que sabe ler e escrever) mas apresenta uma pele pálida, "de quem há muito tempo não apanha sol". Nos últimos oito anos viveu fechada numa cave de doze metros quadrados, à mercê do seu alegado raptor, Wolfgang Priklopil, um técnico de comunicações de 44 anos.
Chamada pelos vizinhos, que encontraram Natascha no jardim, a polícia tentou capturar Priklopil, mas este fugiu no seu BMW vermelho. O carro foi mais tarde achado abandonado e o homem acabou por se suicidar, saltando para a linha do comboio. Desta forma, o mais provável é que nunca se perceba o que levou Priklopil a fazer o que fez. Numa investigação à sua casa, foram encontrados vários indícios do rapto (alguns meios referem o passaporte de Natascha). Na escura cave, descrita como uma "masmorra", estavam uma cama, um armário, televisão, rádio, jornais e livros.
Apesar de alguns jornais austríacos afirmarem que a jovem terá sido violada, a polícia diz não haver qualquer sinal de abuso sexual ou de maus-tratos, confirmando as declarações da própria Natascha Kampusch. Os psicólogos alertam, porém, para o facto de a rapariga ter desenvolvido o síndroma de Estocolmo, habitual em reféns, demonstrando alguma compreensão para com o seu raptor. Natascha terá, de alguma forma, "aceite" a sua condição e, a partir de certa altura, teve autorização para acompanhar o homem em pequenos passeios e idas ao supermercado. Mas, subitamente, na quarta-feira, encontrou a porta aberta e decidiu fugir.
Embora não se tenham reconhecido, Natascha desfez-se em lágrimas quando se encontrou com o pai, no posto da polícia. "Espero mesmo que seja verdade", comentou Ludwig Kampusch. Os pais de Natasha pediram à imprensa três dias "de tranquilidade, sem perguntas", acautelando assim o estado psicológico de todos os envolvidos. Armin Halm, porta-voz da polícia austríaca, explicou que a jovem passou a primeira noite "num local seguro" acompanhado por uma polícia com treino psicológico. Terminado o interrogatório, Natascha irá lentamente reaprender a viver.
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