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por
Sérgio Aníbal
A Europa, ainda à procura de formas de dinamizar a sua economia e de reduzir o nível de desemprego, regressou, nos últimos meses, a uma das discussões mais antigas em torno da legislação laboral: a que define os limites para o número de horas de trabalho.
Os responsáveis políticos das duas maiores economias da União Europeia - Alemanha e França - têm sugerido que se tornem mais flexíveis as restrições ao horário de trabalho, como forma de tornar as economias mais competitivas face à concorrência internacional. As grandes empresas multinacionais têm aumentado a pressão sobre os sindicatos e os Governos para que estes aceitem um alargamento do número de horas trabalhadas, ameaçando com a possibilidade de deslocalização. E, ontem, uma sondagem encomendada pelo Financial Times concluía que mais de metade dos dez mil europeus inquiridos se opunha à intervenção do Governo na limitação do número de horas trabalhadas.
Estas movimentações são um sinal de que a opção europeia por um maior tempo disponível de lazer em detrimento das horas trabalhadas - especialmente em comparação com o que acontece nos Estados Unidos - pode estar a ser colocada em causa.
Os números disponíveis não deixam dúvidas quanto às diferentes prioridades dadas por europeus e norte-americanos na ocupação do seu tempo. De acordo com a base de dados do Groningen Growth and Development Centre, entre os países da UE-15 apenas na Grécia o número de horas trabalhadas anualmente por pessoa supera o dos Estados Unidos.
Na Alemanha e França trabalham-se quase menos 400 horas por ano do que na potência económica do outro continente. Em Itália a diferença é superior a 200 horas, valor quase atingido no Reino Unido. E mesmo em Portugal, um dos países europeus em que uma pessoa, em média, mais horas por ano trabalha, a diferença face aos Estados Unidos é superior a cem horas. Quando a comparação é feita com as economias emergentes da Ásia, que cada vez mais constituem uma ameaça concorrencial para a Europa, a diferença ainda é mais acentuada. Na Coreia do Sul, um trabalhador tem um horário anual com mais 953 dias do que um funcionário francês.
É este indicador que, de acordo com alguns economistas, explica a dificuldade europeia em convergir com o nível de rendimento per capita dos norte-americanos. Os números relativos à produtividade parecem também confirmar esta ideia.
A produtividade por trabalhador dos franceses e dos alemães é apenas de 88,7% e 78,2%, respectivamente, da registada nos Estados Unidos. Mas, quando se mede a produtividade por hora trabalhada, os franceses já apresentam um valor superior ao dos norte-americanos, enquanto os alemães obtêm um registo praticamente igual. Isto significa que, a explicar a diferença de rendimento entre os dois blocos não está um diferencial de produtividade, mas sim de horas trabalhadas. Portugal, com um horário por trabalhador bastante mais próximo do praticado nos Estados Unidos do que da média europeia, tem um problema diferente do dos seus parceiros comunitários, sendo o diferencial de rendimento explicado essencialmente pela baixa produtividade.
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