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Mais 6 mil no desemprego do que em Junho de 2005

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Carla Aguiar  

A taxa de desemprego no segundo trimestre foi de 7,3%. O valor, ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, presta-se a várias leituras. Quando comparado com igual período do ano anterior, significa que o desemprego cresceu 0,1 pontos percentuais, representando agora mais seis mil indivíduos. Se apenas for tida em conta a evolução face ao primeiro trimestre do ano, verifica-se uma redução de 0,4 pontos, reduzindo agora a população desempregada em 24 mil para 405,6 mil. O aumento da população empregada é, no entanto, visível, tanto em termos homólogos (1%) como mensais (1,1%), traduzindo o maior crescimento dos últimos quatro anos. Mas 168 mil desistiram de procurar trabalho ou têm trabalho irregular.

Enquanto o Governo vê nestes números sinais de "contenção na evolução do desemprego e de dinamismo da economia", sindicatos e economistas lembram que a redução do desemprego em Junho deve-se, sobretudo, ao efeito do Verão, que dinamiza os sectores ligados ao turismo, como a hotelaria e restauração, construção e bebidas. Uma situação conjuntural que leva economistas e sindicatos a prever um novo agravamento no final do ano.

As previsões das organizações internacionais acompanham, de resto, aquela leitura. A OCDE prevê que Portugal termine o ano com uma taxa de desemprego de 7,9%, sendo que a Comissão Europeia estima mesmo um agravamento para 8,1%.

Entre Junho do ano passado e Junho último, o INE aponta a criação de 48,8 mil empregos. A população em idade activa cresceu, no mesmo período, em 55 100 indivíduos, pelo que a criação de emprego não foi suficiente para absorver o acréscimo da população em idade activa.

Outro dado importante é o perfil das novas contratações. Os contratos a prazo cresceram 6,2% entre Junho de 2005 e o mesmo mês deste ano, enquanto os empregados contratados sem termo apenas cresceram 1,2%. Ou seja, o crescimento nos novos postos de trabalho em termos homólogos deveu-se, sobretudo, aos contratos a prazo, que ascendiam a 617 800 em Junho, mais 35 900 do que no ano passado. Uma tendência que se manteve na análise trimestral, existindo mesmo uma redução de 0,4% nas contratações permanentes face ao trimestre anterior. Apesar de tudo, foram criados 37 600 postos de trabalho sem termo.

Preocupante continua a ser o agravamento do desemprego no grupo dos licenciados, com o seu número a crescer 30,5%, em termos homólogos. "Conjugado com o aumento homólogo de 8,2% no desemprego entre os 25 e os 34 anos, aquilo significa que não se está a criar emprego qualificado", disse ao DN o economista António Duarte.


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