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por
Maria João Pinto
Espero fazer um museu de histórias e de desenhos que seja divertido, vivo e despretensioso". O desejo, as histórias e os desenhos são de Paula Rego, que ontem formalizou, com a Câmara Municipal de Cascais (CMC), o contrato de doação e comodato das obras que constituirão o acervo do seu museu. A implantar na zona da Parada, junto ao Parque Marechal Carmona, procurará ser, disse ainda, "um museu cheio de alegrias, e de muitas maldades também", evoluindo em vários corpos, envolvidos pelo arvoredo.
Não será uma casa na árvore, grata recordação de muitos de nós, mas significará um regresso ao território da infância, no que há nele de inocente, e de cruel também, tema tão caro, afinal, à sua própria produção. Arquitecto "extraordinariamente original", "capaz de ver de modo diferente cada novo projecto", nas palavras da pintora, caberá a Eduardo Souto Moura dar-lhe forma. Foi a sua escolha pessoal e Paula Rego garante que "ele vai fazer algo cheio de mistério e de surpresa", naquele que considera ser "um sítio mágico" para o seu museu. No seu país.
"O museu ideal, para mim, é aqui [em Cascais]", referiu a pintora, que na infância e adolescência viveu no Estoril. E, mesmo hoje, muitos anos depois de se ter fixado em Inglaterra, as suas raízes estão aqui: "Sou portuguesa, pinto quadros portugueses, mas em Londres, cidade onde se pode ser tudo o que se quiser".
Enaltecendo a "generosidade do gesto" de Paula Rego, António Capucho, presidente da Câmara de Cascais, sublinhou, por seu turno, que o projecto "transcende em muito as fronteiras do concelho, assumindo uma relevância nacional". Conferindo, simultaneamente, "uma nova dimensão à ligação que Paula Rego sempre manteve com Cascais".
O acervo da futura Casa das Histórias e Desenhos Paula Rego será essencialmente constituído por uma selecção da sua obra gráfica (34 gravuras e oito litografias) e por desenhos (59, dois dos quais em acrílico), a que se juntarão, em regime de empréstimo, 16 obras de pintura e quatro outras de seu marido, Victor Willing, falecido em 1988.
Representativas dos vários ciclos da sua produção, "umas guardadas há muitos anos, outras mais recentes", estão a ser estudadas, do ponto de vista museográfico, em colaboração com Mary Margaret Porter de Sousa e técnicos de museologia e de história da arte do Departamento de Cultura da CMC. Obras que, referiu a pintora, "contam muitas histórias, desde que as pessoas nascem até que morrem - e maior tema que este não existe". Será esse o acervo-base do museu, cuja abertura se prevê venha a ocorrer num horizonte máximo de três anos e meio (ver caixa). Acervo que poderá vir a ser alargado ao longo dos anos, quer no plano da doação, quer do empréstimo.
Envolvendo um montante estimado em 5,3 milhões de euros, assegurado pelo Instituto de Turismo de Portugal, através do Programa de Intervenções para a Qualificação do Turismo (PIQTUR), o museu dedicado a Paulo Rego virá reforçar o principal eixo de oferta cultural da vila, hoje formado, lembrou António Capucho, por equipamentos e peças como o Centro Cultural de Cascais, Museu Condes de Castro Guimarães, Casa de Santa Maria, Cidadela, Forte e Farol de Santa Marta e Fortaleza de Nossa Senhora da Luz. E a que se juntarão, em breve, a instalação do Museu Municipal de Arqueologia e a conversão da Casa Sommer em sede do Arquivo Histórico Municipal/Centro de História Local.
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