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Ministra considera que repetição "valeu a pena"

por

Ângela Marques

Gonçalo Santos (foto)  

Valeu a pena abrir uma excepção e, com ela, as portas da faculdade a mais de quatro mil alunos, diz a ministra da Educação. Aos que se queixam de não entrar por não terem tido duas chances, Maria de Lurdes Rodrigues responde que foram eles quem escolheu guardar Química e Física para a segunda fase. "Houve em todo o processo várias críticas muito duras e pouco fundamentadas, mas tudo valeu a pena porque o número de estudantes com positiva a Química duplicou." Alunos prejudicados? Nem vê-los.

A nota média no exame de Química subiu dois valores relativamente à primeira fase, passando de 6,9 para 8,8 valores - o que baixou a taxa de reprovação de 78 para 58%. "Mais de quatro mil alunos que estavam impedidos de aceder ao superior [por terem obtido na primeira fase uma nota inferior a 9,5 valores] viram agora melhorar os resultados", afirmou a ministra.

E isso basta? É que a Física - também abrangida pelo regime excepcional que permitiu aos alunos repetir as provas e concorrer com a melhor nota à primeira fase de acesso ao ensino superior - as notas baixaram em relação à primeira fase. A nota média desceu de 7,7 para 7,3 valores e a taxa de reprovação no exame subiu de 67 para 70%.

Mas para Maria de Lurdes Rodrigues, os resultados de Química chegam para justificar a excepção. "Infelizmente, a melhoria de resultados não aconteceu com Física, que envolve um menor número de alunos. No geral, mantiveram as notas", admitiu ontem em conferência de imprensa. "Mas valeu a pena", fez questão de dizer várias vezes.

O facto de os estudantes já conhecerem o tipo de prova na segunda fase, por terem realizado o exame na primeira, foi, para a ministra, a principal razão do seu sucesso. Um argumento insuficiente para explicar as classificações: também a Física os alunos conheciam o tipo de prova e, ainda assim, tiveram notas inferiores às obtidas na primeira fase.

Questionada sobre a razão pela qual não foram divulgadas provas modelo num ano em que existiam programas novos a 17 disciplinas - sujeitos pela primeira vez a exame -, a ministra afirmou que os serviços do ME não o puderam fazer, dado o carácter excepcional deste ano e a "enorme dimensão de exames a realizar". Mais de meio milhão de provas foram realizadas a 58 disciplinas, no total, este ano.

Provedor falou sem saber

Maria de Lurdes Rodrigues não entendeu o ofício do provedor de Justiça, divulgado na terça-feira, no qual Nascimento Rodrigues classificou de "manifestamente ilegal" o despacho do secretário de Estado da Educação que abriu o regime excepcional no acesso à universidade. Mas respondeu-lhe. "À carta aberta do provedor respondi em carta fechada. Não entendo como é possível emitir opiniões sem conhecimento dos factos e sem procurar informação. Não recebemos qualquer pedido de informação", criticou.

A recomendação do provedor para que sejam criadas vagas adicionais no ensino superior para os alunos lesados pela excepção aberta - particularmente aqueles que sejam ultrapassados na colocação por não terem beneficiado de duas oportunidades - não mereceu da ministra qualquer comentário, uma vez que considerou não caber ao ME uma decisão sobre a matéria.

Só que "o país não tem um problema de vagas, mas um problema de alunos", disse. Para o corrigir é necessário "melhorar os resultados no secundário para aumentar o número de alunos no superior".

A pedido, Maria de Lurdes Rodrigues justificou uma vez mais a polémica excepção. Para a ministra, as "condições de desigualdade" a que os alunos de Química e Física estavam sujeitos - por terem feito exames sobre programas novos, a disciplinas que não foram concebidas para serem testadas em provas nacionais - fizeram com que a repetição fosse o mais justo.


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