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João Pedro Oliveira*
O Centro de Belgais para o Estudo das Artes manterá o seu projecto inalterado apesar da saída de Maria João Pires, fundadora e presidente. A garantia foi ontem avançada à Lusa por fonte da organização, enquanto se sucediam reacções de músicos e artistas, pesarosos pela decisão da pianista de abandonar a presidência do centro e emigrar para o Brasil. Também fonte do Ministério da Cultura explicou ao DN que a tutela lamenta a decisão, mas garantiu que "foi concedido apoio ao projecto de Belgais quando solicitado". A última verba entregue, no valor de 65 mil euros, "remonta a 2003 e a sua aplicação nem chegou a ser justificada, tal como a lei exige".
De acordo com a porta-voz de Isabel Pires de Lima, "estes 65 mil euros foram concedidos no âmbito do relevante serviço de descentralização cultural prestado por Belgais". Cinquenta mil provinham do Fundo de Fomento Cultural, o restante do Instituto das Artes, precisou. "De resto, não há registo escrito de ter sido pedido outro apoio ao ministério até à entrada desta equipa, e desde que cá estamos não houve também qualquer solicitação por parte de Belgais", acrescenta a assessora, menorizando as queixas de falta de apoio ao projecto.
A maior fatia de financiamento público a Belgais, porém, chega através do Ministério da Educação (ME). De acordo com a Direcção- -Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, desde o ano 2000 foi concedido um total de 1,8 milhões de euros, no âmbito de um protocolo assinado com a associação que gere o projecto. Razão que leva o director-geral Luís Capucha a pensar que "as declarações (de Maria João Pires) não devem com certeza referir-se ao ME, que cumpriu sempre os seus compromissos" com Belgais.
Recorde-se que, em entrevista concedida à Antena 2, a pianista declarou ter sido "vítima de uma verdadeira tortura" para concretizar Belgais, pelo que decidiu ir viver para o Brasil, onde pretende desenvolver projecto semelhante, longe "dos malefícios de Portugal". * Com Lusa
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