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Helena Tecedeiro
Chegou a hora de um novo Médio Oriente", afirmou ontem a secretária de Estado dos EUA. Após um encontro, em Jerusalém, com o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, Condoleezza Rice apelou a um cessar-fogo no Líbano, mas não a qualquer preço: "Não podemos voltar à situação anterior" em que o Hezbollah controlava o Sul do país.
A chefe da diplomacia americana voltou a apelar a uma solução a longo prazo, mas não terá, segundo o diário israelita Haaretz, feito pressão sobre o Governo de Olmert para pôr fim à ofensiva no Líbano. De facto, o primeiro-ministro israelita garantiu que Israel irá continuar a lutar contra o Hezbollah e tomará "medidas duras" contra aqueles que disparam rockets sobre o Estado hebraico. No dia 12, Israel lançou uma ofensiva contra o Líbano, após o Hezbollah ter raptado dois dos seus soldados junto à fronteira, em território que considera ocupado por Israel.
Olmert reconheceu que os ataques israelitas causam "problemas humanitários" no Líbano e garantiu que Israel vai permitir a abertura de corredores humanitários. A Arábia Saudita disponibilizou 1,5 mil milhões de dólares para os 750 mil deslocados libaneses. O ministro da Defesa, Amir Peretz - com quem Rice se reuniu antes de partir para Ramallah -, explicou que Israel irá manter uma zona de segurança no Sul do Líbano até à chegada de uma força internacional para controlar a fronteira norte. A verificar-se, será um regresso ao passado: pressionado pelo Hezbollah, Israel retirou de uma primeira zona de segurança em 2000.
O envio de uma força internacional estará no centro dos debates na reunião ministerial, marcada para hoje em Roma (ver página ao lado). Após uma recusa inicial, Israel, que pretendia que fosse o exército libanês a garantir a segurança na zona fronteiriça e desarmar o Hezbollah, aceitou a presença de uma força liderada pela UE ou pela NATO.
Nos últimos dias multiplicaram--se os contactos para determinar os contornos dessa força. O alto representante para a política externa da UE, Javier Solana, foi prudente, avançando, contudo, que sem a presença de europeus essa força não existirá. A França condicionou a sua criação a um acordo entre israelitas e libaneses. O primeiro-ministro Dominique de Villepin mostrou-se favorável ao envio de uma força sob mandato da ONU. Uma das dificuldades poderá ser a disponibilidade dos países para enviar soldados. Ontem, a Dinamarca - com tropas no Iraque, Afeganistão e Kosovo - disse não ter meios para outra missão.
Por outro lado, a Finlândia, na presidência da UE, disse preferir um consenso na ONU para encontrar uma solução para esta crise a uma iniciativa política liderada por Solana, exigida pelo Presidente francês, Jacques Chirac. O Reino Unido sublinhou a necessidade de apoiar Beirute e apelou a Damasco e Teerão para cessarem a ajuda ao Hezbollah. A Síria elevou o nível de alerta por receio de um ataque israelita, enquanto em Teerão o Presidente Mahmud Ahmadinejad avisava: "A tempestade [no Médio Oriente] está próxima."
Após dois dias de calma relativa - um dos quais correspondeu à visita de Rice -, o Sul de Beirute, considerando como reduto do Hezbollah, voltou ontem a ser bombardeado por Israel. No Sul do país, prosseguiram os combates entre soldados israelitas e combatentes do Hezbollah, sobretudo em Bint Jbail, onde os militares entraram pela primeira vez.
Os rockets do Hezbollah voltaram a atingir o Norte de Israel e mataram uma árabe israelita de 15 anos em Maghar, perto de Carmel. Doah Abbas estava no quarto quando a sua casa foi atingida por um Katyusha.
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