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por Leonor Matias
A Autoeuropa tem de baixar o custo do trabalho suplementar para ganhar a montagem do modelo que irá suceder aos monovolumes Sharan (VW) e Alhambra (Seat), em 2008. O aviso partiu de Emílio Saenz, director-geral da fábrica da Volkswagen de Palmela, que considera o custo do trabalho suplementar em Portugal "uma loucura". Actualmente, a hora extraordinária na fábrica é paga a 200%. Um valor considerado "muito elevado", quando comparado com o que é praticado nas fábricas da VW de Pamplona (37%) e Bratislava (25%).
A administração da VW vai iniciar conversações com os representantes dos trabalhadores para negociar um novo acordo laboral, que deverá entrar em vigor entre Setembro e Outubro. O director--geral da Autoeuropa realça que o futuro acordo deverá vigorar durante os próximos três a quatro anos, ao contrário do actual, que só vigorou um ano e cujas negociações foram marcadas pela contestação, tendo a primeira versão sido chumbada. Só em Janeiro os trabalhadores aprovaram o acordo, que entre outros pontos, baixou o pagamento das horas extraordinárias de 500 para 200%. Emílio Saenz refere que a fábrica vai atravessar uma fase em que precisa de paz social e estabilidade para assegurar com sucesso o lançamento do Eos e do Scirocco.
A vinda do modelo que irá suceder ao Sharan e ao Alhambra vai depender do "bom senso" dos trabalhadores. Com este aviso, Saenz pretende chamar a atenção dos trabalhadores para a perda de competitividade que ameaça a Autoeuropa.
O responsável da fábrica realça que a Autoeuropa está de momento a "trabalhar no seu limite para satisfazer as encomendas, principalmente do modelo cabrio Eos", que vai começar a ser exportado em Setembro para os Estados Unidos e até final do ano para o Japão.
A fábrica está a montar 220 veículos/dia para satisfazer os pedidos e, durante o mês de Agosto, não vai fechar, como tem sucedido nos últimos anos. Emílio Saenz adianta que os trabalhadores estão a procurar montar dois a três veículos (Eos) a mais todos os dias para satisfazer as encomendas.
O aumento da produção do Eos está a compensar o decréscimo verificado nos monovolumes. O Alhambra deverá deixar de ser fabricado no final de 2007 e o Sharan em meados de 2008. Entretanto, os primeiros Scirocco vão começar a ser produzidos em Dezembro de 2007, prevendo-se o seu lançamento no mercado para meados do ano seguinte. Para o sucesso desta fase de lançamentos, a que se juntam as negociação para o sucessor dos monovolumes, Emílio Saenz considera "muito importante que haja estabilidade na Autoeuropa".
Até final deste ano, a Autoeuropa prevê encerrar os contactos com os potenciais fornecedores de componentes para o Scirocco, cuja incorporação nacional deverá ficar abaixo dos 50%. A participação da indústria nacional no Eos está ligeiramente acima dos 50%.
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