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Calças de ganga e sapatilhas também são proibidas

por

Lília Bernardes

no Funchal  

Alberto João Jardim, na qualidade de líder do PSD/Madeira, dá "todo o apoio" a Miguel Mendonça, presidente do Parlamento da Região, que impôs regras aos jornalistas, sobretudo aos repórteres de imagem que entram no hemiciclo e nas comissões da Assembleia Regional, quanto à forma de vestir e calçar. Jardim concorda que os infractores sejam expulsos caso não cumpram essa "exigência". Nada de T-shirts, sapatilhas, gangas. Tudo em nome da defesa da "dignidade" do primeiro órgão de Governo próprio.

O DN sabe que o gabinete da presidência da Assembleia Legislativa (ALM) envia hoje às redacções, por escrito, o regulamento oficial. Um figurino de "bem-vestir" desenhado para jornalistas, mas que não se aplica aos deputados.

Em comunicado, João Jardim concorda com a decisão, pois "há quem, por analfabetismo à mistura com exibicionismo, julgue que a 'revolução' não está nas mentalidades, na cultura e nas mudanças correctas, mas sim num desleixo que pretende fingir querer igualizar, porém, erradamente, por baixo, pelo rafeiro".

Para o presidente da Comissão Política do PSD/Madeira existem os que, de facto, levam "o seu inestético desleixo pessoal ao ponto de ignorarem as instituições e pessoas que devem respeitar", ainda que "a palavra "respeito não conste da deontologia do regime político português". Portanto, as medidas do presidente da ALM estão correctas, pois "visam defender a autonomia política do povo madeirense face a atitudes de desrespeito propositado, ou de posicionamento ideológico snob e inculto ou desleixo cívico".

Jardim reitera que o PSD não irá ceder a pressões de "entidades ou sindicados que ignora".

Esta imposição de protocolo não é recente e surgiu o ano passado na sequência da primeira expulsão de um operador de câmara da RTP/M devido ao uso de calções e T-shirt. Esta semana seis jornalistas foram proibidos de entrar no Parlamento regional, a pretexto de a sua indumentária não ser apropriada. A Direcção Regional da Madeira do Sindicato dos Jornalistas, em comunicado, repudiou esta manifestação de prepotência.

Três jornalistas do Diário de Notícias da Madeira e um da RTP Madeira fora impedidos de entrar no hemiciclo, na sessão de segunda-feira. No dia seguinte, o caso repetiu-se com dois repórteres das delegações regionais da RDP e da TSF que pretendiam fazer a cobertura de uma conferência de imprensa do Bloco de Esquerda (que acabou realizada na rua).

Em ambos os casos a justificação invocada foi a mesma. Ou seja, o presidente da Assembleia Legislativa Regional "não admite o uso de ténis, sandálias, calças de ganga ou camisolas". As mulheres beneficiam de uma excepção... no que às camisolas diz respeito.


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