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"Quem manda no País são os ambientalistas"

por

Susete Francisco  

Um português consome 5000 kilowatts de energia por ano. Se viver 80 anos consumirá, no total, 400 megawatts. O que é equivalente, em termos de consumo de matérias-primas, a 125 toneladas de carvão - e 250 toneladas de CO2 como resíduos. No caso da energia nuclear, consumirá um quilo de urânio enriquecido - o que corresponde a um quilo de resíduos, sendo que apenas 50 gramas serão radioactivos.

Este foi um dos argumentos ontem avançados, num almoço/debate promovido pelo CDS, desta vez em defesa do "sim" ao nuclear em Portugal. Uma energia "segura, competitiva e limpa", sustenta, como conclusão dos números anteriores, Pedro Sampaio Nunes, vice-presidente do CDS e ex-secretário de Estado da Ciência e Inovação.

Uma energia amiga do ambiente, que produz menos resíduos que qualquer outra - excepção feita às renováveis, mas mais competitiva que estas -, e a única forma de ultrapassar as pesadas multas que já se adivinham para Portugal, por incumprimento dos níveis de emissão de dióxido de carbono para a atmosfera. Assim foi ontem descrito o nuclear, apontado por Sampaio Nunes como uma solução "inevitável". Se "não houver nuclear, o que vamos fazer é consumir mais gás natural ", apontou também Sucena Paiva, também ex-secretário de Estado da Ciência e Tecnologia. Mira Amaral, ex-ministro da Indústria, levantou outra questão, referindo-se à central nuclear já existente em Espanha: "Qual é a diferença entre estar daquele ou deste lado da fronteira?".

A resposta veio da audiência e com uma palavra insistente: segurança. Dos acidentes às centrais como potenciais alvos de terrorismo, passando pelo destino a dar aos resíduos radioactivos. "Num quilo de resíduos radioactivos, 97% é reciclável. Dá um dedal de material radioactivo", defendeu Sampaio Nunes.

Questão que uniu partidários e críticos do nuclear foi a da falta de debate. "As pessoas têm medo do nuclear. O nuclear é a bomba, é a destruição. É muito difícil fazer um debate sem preconceitos", afirmou Sucena Paiva. Clemente Pedro Nunes, membro do Conselho Económico e Social do CDS, traçou o cenário daqui resultante: "Fechar a discussão do nuclear e não apostar nas hidroeléctricas" - uma crítica repetida no debate - não deixa margem senão para "o colapso económico". Em declarações ao DN, Sampaio Nunes avançou outra explicação, no caso, para a omissão deste tema do debate político: "O poder político tem medo, quem manda no País é a [associação ambientalista] Quercus".

Apostado em trazer esta questão para a ordem do dia, o CDS anunciou que continuará este ciclo de debates depois do Verão, iniciativas que deverão terminar com umas jornadas sobre política energética.


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