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por
Ana Sá Lopes e Martim Silva
O que dizem os portugueses
A Europa "tem falta de estadistas" como Salazar e Franco. A pérola veio da boca do eurodeputado polaco Maciej Marian Giertych, pai do vice-primeiro-ministro polaco. E não foi proferida à mesa de uma brasserie em Estrasburgo. Foi durante uma sessão plenária do Parlamento Europeu, esta semana, que tinha como objectivo a condenação do regime franquista, numa altura em que se assinalam os 70 anos do início da Guerra Civil espanhola (1936-1939).
Giertych realçou o facto de os dois ditadores terem combatido "a praga do comunismo", em defesa do que disse serem os valores católicos. "Graças à Igreja espanhola, ao Exército espanhol e a Francisco Franco, o ataque comunista contra Espanha foi rechaçado", afirmou o parlamentar polaco, gerando imediatas ondas de choque.
O líder da bancada socialista no Parlamento Europeu, Martin Schultz, classificou a intervenção de "fascista" e disse que discursos desses "não têm lugar no Parlamento Europeu". Giertych, nascido em 1936 em Varsóvia, foi eleito para o PE em representação da Liga das Famílias Polacas. Opõe-se à aquisição de propriedades por estrangeiros no país. Católico fervoroso (apologista das teses criacionistas), chegou a calcular a capacidade da arca de Noé.
Miguel Portas teve "dificuldade em acreditar no que estava a ouvir". Sentado no seu gabinete em Estrasburgo, na terça-feira passada, assistia à sessão do plenário pelo circuito interno de televisão, quando ouviu o deputado polaco elogiar Salazar e Franco pelo seu papel na "defesa do Ocidente". Ainda pensou, num primeiro momento, que fosse "erro de tradução". Marian Giertych falava em polaco.
"Já não ouvia fascistas como aquele há muito tempo. Um fascista à moda antiga", disse ao DN o deputado do Bloco de Esquerda.
Fausto Correia também ouviu no gabinete a intervenção de Marian Giertych. Ficou "obviamente surpreendido": "Há uma contradição nos termos. Um parlamento democrático não pode nunca saudar aqueles que estiveram contra a democracia". Mas Fausto Correia diz que também foi "com alguma hilaridade" que ouviu o deputado polaco, "porque representa uma grande dose de saudosismo que felizmente não tem eco na maioria dos membros do Parlamento Europeu".
Para o deputado socialista, ouvir intervenções como as de Marian Giertych é "um preço que a democracia tem de pagar": "ouvir as asneiras que alguns eleitos pela democracia atentam contra a democracia."
A sessão parlamentar está a chegar ao fim, mas, na reabertura dos trabalhos, o Partido Socialista tenciona responder ao deputado polaco.
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