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Maria João Pinto Pedro Saraiva
Tem ressonâncias bíblicas no título - 20, 13 (Purgatório) -e retoma a temática da Guerra Colonial, no quadro de uma trilogia em construção, iniciada em 1999, com Inferno. Em rodagem desde a semana passada, no Campo de Tiro de Alcochete, o novo filme de Joaquim Leitão, que igualmente assina o argumento, com Luís Lopes e Tino Navarro, é apresentado como um cruzamento da "violência da guerra com a violência das paixões" - "uma história de guerra e de amores desencontrados", com um toque "de policial", na definição do realizador, passada "algures no norte de Moçambique". Condensando o tempo, da manhã de um dia à manhã do dia seguinte - ponto em que reeditará "a estrutura de Inferno", como lembrou o produtor Tino Navarro, em conferência de imprensa ontem realizada no local, numa pausa entre filmagens.
Esses dias são 24 e 25 de Dezembro de 1969, quando um aquartelamento é inesperadamente atacado, quebrando-se um acordo tácito de trégua. Há ainda lugar para "um crime na noite", ocorrido em simultâneo, e para a chegada, pouco antes, de uma mulher, elemento central também na sucessão de "conflitos privados", nomeadamente do foro sentimental, que irão eclodir.
Com Adriano Carvalho, Marco d'Almeida, Carla Chambel, Maya Booth, Nuno Nunes, Ivo Canelas e Júlio César nos principais papéis, e em filmagens até 12 de Agosto, 20, 13 (Purgatório) tem estreia nacional marcada para 7 de Dezembro. Um prazo relativamente curto que Joaquim Leitão diz ser do seu agrado, por "apenas conseguir - e gostar de - trabalhar sob pressão". O realizador não entrou, naturalmente, em detalhes sobre a trama do filme, mas disse deste seu novo projecto ser "um filme que dá prazer fazer e uma história que dá prazer contar".
Uma língua comum
À medida que o projecto foi ganhando corpo, "a principal preocupação" - lembrou, por seu turno, Tino Navarro - "teve a ver com onde filmar" uma história como esta. A opção Moçambique, disse, "levantava questões complicadas do ponto de vista da logística"; por outro lado, e passando-se o filme integralmente num aquartelamento militar, "toda a infra-estrutura e equipamento existiam cá", "o que foi possível mercê do apoio da Força Aérea e do Exército", com a cedência de instalações e de equipamentos de época.
Atendendo ao tema em apreço e ao que considera ser o caminho futuro, Tino Navarro manifestou a sua "vontade de que o cinema feito em Portugal seja visto particularmente por todos aqueles que falam português no mundo". "A evolução natural das coisas vai tender para mercados linguísticos específicos", afirmou. No caso de 20, 13 (Purgatório), a estreia nacional deverá coincidir com a estreia em simultâneo em Moçambique e, se tudo correr como previsto, também em Angola, referiu, por seu turno, Antunes João, da Lusomundo/PT Multimedia. "O sonho de estrear também no Brasil, nessa ou noutra data", disse ainda, também não está posto de parte.
O projecto, que contou ainda com o apoio financeiro do ICAM, tem um orçamento de um milhão e 300 mil euros, "muito menos que Inferno", referiu Tino Navarro, lamentando que todos aqueles que fazem cinema em Portugal "nunca saibam se há condições, dado tudo ser tão frágil". Neste particular, o produtor sublinharia a "necessidade de ser regulamentada" a Lei do Cinema e do Audiovisual, passo que, disse, "é importante para que haja clarificação do papel" dos vários agentes no sector.
Um tema a explorar
Relativamente a esta trilogia sobre a Guerra Colonial - o próximo filme terá por título Paraíso e "passar-se-á numa localidade do Interior", durante o Verão, "juntando pessoas que viveram o conflito e criaram laços" -, Tino Navarro considerou haver largo espaço para continuar a explorar o tema, o tempo e as marcas que deixou. "Gosto de falar de Portugal, do presente e do passado", disse. "E, se o cinema americano 'esgotou' a temática do Vietname, nós praticamente nunca fizemos coisas sobre a Guerra Colonial. Fizemos coisas 'laterais', mas não no coração da guerra".
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