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Cibercorreio já atraiu duas mil pessoas mas confiança é vital no longo prazo

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Filomena Naves  

Para primeiro dia, a participação impressiona. Foram mais de dois mil os portugueses que durante o dia de ontem, logo a partir das 11.30, se inscreveram no novo serviço de caixa postal electrónica disponibilizado na Internet, via CTT.

Este pode ser um bom sinal e é possível que a tendência se mantenha, mas serão factores como a utilidade real do serviço, as suas condições de uso e a confiança que ele inspirar nos potenciais utilizadores que acabarão por decidir da sua futura implantação. É isto, pelo menos, que a sociologia ensina.

Em Portugal, a utilização hoje generalizada do multibanco - a par da fácil utilização e multifuncionalidade, ganhou a confiança das pessoas e descomplicou-lhes o dia-a-dia - é o paradigma do sucesso na implantação social de uma nova tecnologia. Usam-na novos e velhos, cidadãos urbanos e menos urbanos, pessoas mais qualificadas e muitas outras menos escolarizadas. É um caso exemplar.

"Tinha tudo para isso", explica Maria do Carmo Gomes, socióloga e investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (CIES-ISCTE), que tem analisado este tipo de questões. Outro exemplo de idêntico êxito "é o dos telemóveis", diz ainda a socióloga. E os factores decisivos, sublinha, são sempre os mesmos: "utilização fácil, grande utilidade, descomplicação do dia-a--dia, confiança".

E a nova caixa postal electrónica? A sua generalização - ou não - "também vai depender deste tipo de factores", garante a investigadora, sublinhando que neste caso há também a questão da Internet.

De acordo com o estudo "A Sociedade em Rede em Portugal", coordenado em 2004 pelos sociólogos Gustavo Cardoso e Firmino da Costa, do CIES-ISCTE, e no qual Maria do Carmo Gomes também participou como investigadora, só 30% dos portugueses são (ou eram, em 2004) utilizadores habituais da Internet. Se se lhes juntar outros 10% de navegadores esporádicos, os números mostram que, há dois anos, menos de metade da população portuguesa usava a Internet. O perfil destes fãs do ciberespaço também não surpreende : são os mais jovens e os mais qualificados que preenchem estas fileiras.

O estudo está agora a ser actualizado e o novo retrato do Portugal em rede será visível daqui a um mês, mas tudo aponta para que a utilização da Internet se tenha expandido neste período. "Houve um esforço político de desburocratização, com as novas tecnologias e a Internet", nota Maria do Carmo Gomes.

A caixa postal electrónica é lançada justamente com esse intuito expresso. E é possível que, à semelhança do que aconteceu com a entrega electrónica do IRS (cuja adesão cresceu exponencialmente e já colheu as boas graças de um maior número de portugueses para além dos que são utilizadores habituais da Internet), esta caixa postal virtual venha a tornar-se popular.

Noutros países onde foi lançado, este serviço foi recebido de formas muito diferentes. No Canadá, por exemplo, foi bem sucedido e dura já há cinco anos. Mas aqui mais perto, na Holanda, não motivou quaisquer paixões. Cá, espera-se para ver.


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