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Indústria só tem futuro com flexibilização laboral

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Leonor Matias  

Osector automóvel em Portugal tem futuro, mas precisa de se redimensionar, à semelhança do que se passa na Europa, em que a "capacidade produtiva é superior ao consumo", diz Palma Féria, da Associação de Componentes Integrados para a Indústria Automóvel (ACECIA). A receita para manter em Portugal os investimentos passa pela flexibilização, nomeadamente no custo do trabalho suplementar, cujo valor é considerado muito elevado face à concorrência do Leste.

Helder Pedro, da Associação dos Industriais de Automóveis (AIMA), que junta os fabricantes do sector em Portugal, adiantou ao DN que o contrato colectivo de trabalho que regulamenta a actividade vai ter de ser "revisto". Nos termos do contrato aplicado em Portugal, o pagamento do trabalho suplementar está fixado em 200%, enquanto na Eslováquia é de apenas 25%. Em Bratislava estão presentes fabricantes de peso como a VW e a Porsche, e quando recorrem às paragens técnicas, os trabalhadores vão para casa e recebem apenas um terço do salário. "O que é impraticável em Portugal", dizem.

Para o Grupo Salvador Caetano, "o regime laboral português deve ter as mesmas armas dos outros fabricantes europeus". Os responsáveis do grupo citam o exemplo espanhol onde o trabalho suplementar custa um terço do que é pago em Portugal.

Num tom muito crítico, Aloísio Leão, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) considera que Portugal, ao contrário de outros países com uma indústria automóvel, "não tem uma política para o sector de componentes". Resultado: na General Motors, da Azambuja, está-se "perante a falência", a seguir à Renault e à Ford, apenas porque não se criou um cluster em torno das fábricas, que se limitaram a fazer a montagem de veículos, com a maioria das peças importadas do estrangeiro. As críticas atingem directamente administração da GM em Portugal, Governo e sindicatos, que "não tiveram uma atitude cooperativa atempada de defesa da fábrica". A Agência Portuguesa para o Investimento (API) é também acusada de "não ter seguido devidamente os investimentos". Senão, acrescenta, "deveriam saber há um ano que a decisão de transferência para Espanha já estava tomada".

Em Novembro de 2005, a revista Automotive News, citando fontes da GM, publicava uma lista de fábricas a encerrar até 2007 e onde constava a Azambuja. "Onde estava o ministro da Economia?", questiona .

"A GM vai sair de Portugal", acredita Palma Féria, que esteve ligado às negociações para a instalação da Autoeuropa em Palmela. Convicção também partilhada por Helder Pedro. Mas acreditam que "não existe risco de fecho" da PSA/Citroen, em Mangualde, apesar das fragilidades da unidade do grupo francês.

Desde 1995, o sector automóvel tornou-se no primeiro exportador português. Com o eventual encerramento da GM, Teixeira dos Santos admite que "haverá algum impacto nas exportações, mas será compensado pelos efeitos de outros investimentos". Quais, o ministro das Finanças não adiantou.

E com a produção automóvel em crise, o futuro do sector de componentes - "com uma capacidade instalada superior ao consumo das fábricas em Portugal - está no Leste". Palma Féria diz que as peças devem ser desenvolvidas no País e "assembladas" junto das fábricas de montagem. C


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