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Hugo Bordeira Londres
Os principais jornais britânicos estão a reforçar a sua aposta nas edições online, perante projecções optimistas que apontam para um crescimento significativo do investimento publicitário canalizado para a Internet no Reino Unido. Primeiro foi o Guardian a anunciar que passaria a disponibilizar online os textos dos seus jornalistas e correspondentes internacionais antes mesmo de chegarem à edição em papel, um passo secundado na semana passada pelo histórico Times, que reestruturou várias secções para começar a dar prioridade à edição digital.
No dia 7 de Junho, o Guardian anunciou que começaria a colocar as principais reportagens dos seus jornalistas e correspondentes imediatamente online, uma forma de "fugir ao ciclo de impressão de 24 horas e de não ser ultrapassado por outros meios impressos e digitais". O jornal garantiu, no entanto, que reservará alguns trabalhos exclusivos para a sua edição em papel e que o seu website (www.guardian.co.uk) continuará a ter várias notícias de última hora copiadas de agências.
O Times não perdeu muito tempo a adoptar esta política "online primeiro", já que na semana passada tornou-se no segundo jornal nacional do Reino Unido a disponibilizar as suas principais notícias na edição digital antes da edição impressa. Por enquanto, apenas as reportagens dos seus correspondentes no estrangeiro vão chegar à Net antes da edição impressa. Com mais de três milhões de leitores regulares da edição online, fora do Reino Unido, o jornal diz que o objectivo principal é ampliar a cobertura geográfica, sendo que nem todos os textos dos correspondentes serão depois publicados em papel. Internamente, o Times está também a integrar progressivamente as suas edições digital e impressa, fundindo secções até aqui autonomizadas para cada um dos meios.
Estas alterações estratégicas dos grandes jornais nacionais não são inocentes. Na verdade, a agência britânica GroupM, responsável por cerca de 30 por cento das compras de espaço publicitário nos mais diversosmedia no Reino Unido, divulgou um relatório no início de Junho onde avançava que, pela primeira vez, no final de 2006, os gastos com publicidade na Internet iriam ultrapassar o orçamento despendido nos jornais nacionais. De acordo com as estimativas, os anúncios na Internet vão absorver 13,3% de um bolo total de 12,2 mil milhões de libras (18,2 mil milhões de euros) gastos em publicidade, relegando os jornais nacionais (13,2 por cento do total) para a terceira posição no ranking dos media que captam mais investimento publicitário, atrás da TV e da Internet.
No entanto, estas projecções optimistas não levam todos os jornais no mesmo caminho. Num movimento radicalmente oposto ao Guardian e ao Times, o Daily Telegraph, por exemplo, está a pensar congelar as principais histórias da sua edição digital até ao final do dia, tentando evitar a canibalização do jornal impresso pela edição digital. Já o The Sun, o tablóide diário mais vendido do Reino Unido, disponibiliza há cinco meses um jogo online em www.sunbingo.co.uk (o bingo, através de uma parceria com uma empresa especializada) que se baseia em cupões vendidos com a edição impressa e está a fazer um sucesso estrondoso: só no primeiro ano de vida, o jornal prevê arrecadar um milhão de libras (perto de 1,5 milhões de euros) de lucro.
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