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Salários sobem em média 2,3% nas maiores cotadas

por

Paula Cordeiro *  

As principais empresas cotadas na Bolsa portuguesa atribuíram aos seus trabalhadores em 2006 aumentos salariais abaixo da inflação prevista. Apesar de a maioria dos aumentos se situar acima do valor de referência para a função pública - 1,5% - os valores-base anunciados por metade das empresas do PSI-20, o índice de referência da Euronext Lisboa, não ultrapassaram os 2,6%, a inflação prevista para este ano. Em média, os aumentos foram de 2,3%, nas 17 empresas que responderam ao DN.

A falta de negociação colectiva e a presença no índice de empresas provenientes de sectores de actividade onde ainda não se criou capacidade reivindicativa por parte dos seus empregados justificam aumentos compa- rativamente abaixo do desempenho das empresas, especialmente ao nível dos resultados gerados. Em 2005, os resultados líquidos destas 20 empresas registaram um crescimento médio de 56,5%.

As empresas tecnológicas são exemplo desta situação. Com uma população em início de carreira, a maior parte dos trabalhadores não é sindicalizada e apresenta vínculos laborais precários, que explicam a sua reduzida capacidade de negociação.

Na ronda feita pelo DN junto das empresas do PSI-20 apenas duas preferiram não indicar qual o aumento-base - a Media Capital e a Novabase. A Pararede informou que não fez aumentos, apenas correcções. Ou seja, a maioria dos seus funcionários não foi aumentada, enquanto outros viram os seus salários ser actualizados em função do desempenho.

As actualizações salariais por mérito foram, aliás, prática seguida em boa parte das empresas, com algumas delas a indicarem um intervalo de valores para aumento. É o caso da Reditus, que, "em função da produtividade e da avaliação individual", aplicou aumentos entre os 1,25% e os 15%.

Coube a uma das maiores empresas portuguesas o aumento salarial base mais baixo do PSI-20. Foi a Portugal Telecom (PT) e a sua subsidiária PT Multimédia, que decretaram um aumento salarial de 1,2% para todos os trabalhadores. Como disse ao DN Manuel Gonçalves, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), face ao aumento anunciado, os sindicatos rejeitaram-no e decidiram avançar para um processo de conciliação (ver página 11).

Outro dos sectores que também obedecem à contratação colectiva é a banca, com três bancos cotados e a marcar presença no PSI-20. Assim, da negociação com os sindicatos resultou um aumento salarial de 2,5%, neste caso concreto para o BPI, Banco Comercial Português (BCP) e Banco Espírito Santo (BES).

O aumento salarial de base mais elevado entre estas 20 empresas foi concedido pela Cimpor, de 3,3%. A Semapa também aumentou os seus funcionários acima da inflação, com 2,8%.

A Sonaecom protagonizou igualmente uma das maiores subidas salariais de base do PSI-20, com um aumento de 2,9%, enquanto a Sonae actualizou entre os 2,5% e os 3%, com cada sector de negócio do grupo a ter a sua própria decisão nesta matéria.

A "campeã" dos lucros do PSI-20, a EDP, com resultados líquidos em 2005 que ultrapassaram os mil milhões de euros, brindou os seus trabalhadores com uns "modestos" 2,74%.

A Jerónimo Martins, por seu lado, respondeu ao DN que os seus custos com pessoal (mais abrangentes) subiram 1,9%, não indicando quanto aumentou os seus trabalhadores. No entanto, o DN sabe que os aumentos salariais de base negociados para todo o sector da distribuição foram de 2,5%. C

* com Cátia Almeida, Helena Santareno, Ilídia Pinto e Leonor Matias


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