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economia

Universidades e empreendedorismo

por

Soumodip Sarkar

Professor associado, Departamento de Gestão, Universidade de Évora  

Atese Triple Helix refere que a interacção entre universidade-indústria-governo é a chave para a inovação numa sociedade baseada no conhecimento (knowledge-based society). A origem de gigantes tecnológicos como o Google, Lycos ou Genentech, entre outros, têm em comum o facto de terem origem nas universidades. Historicamente, a Europa, e especialmente as universidades portuguesas, separaram-se do mundo dos negócios. Em Portugal, a investigação "pura", por oposição à que é direccionada às empresas, tem tradicionalmente beneficiado de um maior prestígio que a pesquisa científica aplicada.

As universidades, tradicionalmente, ensinam os seus estudantes a "como pensar" e não em "como fazer dinheiro". Esta é a verdade não só nas ciências e nas humanidades, mas tabém na gestão, onde o curriculum universitário vai mais no sentido de como gerir empresas, em vez de caminhar no sentido de as criar.

Spinoffs são caracterizadas como empresas nas quais as qualificações académicas, resultados de investigação, métodos científicos e outras capacidades desempenham um papel fundamental. Spinoffs são também descritas como empresas que ajudam a comercializar novos métodos científicos, novas tecnologias ou os resultados de investigação gerados ou as capacidades adquiridas pelo fundador do negócio numa unidade de investigação governamental ou numa universidade.

Em média, 19% dos novos produtos e 15% dos novos processos das empresas de bens manufacturados dos EUA são directamente baseados em investigação académica, 44 e 37%, respectivamente, em indústrias de alta tecnologia, como é o caso da indústria farmacêutica, e em desenvolvimento de instrumentos e processamento de informação.

Num estudo de caso sobre a Alemanha, estima-se que cerca de 7600 start-ups académicos, nos quais a transferência de conhecimentos tem um papel muito importante, são iniciados em cada ano, sendo que no período de 1996-2002, desses 7600 cerca de 200-300 spinoffs surgiram em sectores de alta tecnologia.

O Massachusetts Institute of Technology estabeleceu um centro de formação e promoção do empreendedorismo entre estudantes, investigadores e staff. O centro baseia-se na seguinte filosofia: "Os cientistas do MIT, engenheiros e gestores acreditam que isto não é suficiente para inventar um novo produto, conceito ou tecnologia. A medida de sucesso é a comercialização global e a aceitação generalizado das suas inovações." De acordo com o MIT, antigos alunos, alunos e professores fundaram mais de cinco mil empresas. Estas empresas empregam cerca de 1,1 milhões de pessoas e têm vendas anuais de mais de 230 biliões de dólares. Cerca de metade destas empresas foram fundadas por pessoas com licenciatura há menos de 15 anos; uma em cada seis empresas é fundada por pessoas com licenciatura há cinco anos! Algumas das empresas criadas no seio do MIT incluem gigantes como a Intel, Genentech, Bose, 3Com, Texas Ins- truments, Hewlett-Packard ou Gilette. Se apenas uma universidade pode criar spinoffs que gerem receitas cerca de uma vez e meia superiores ao PIB de Portugal, será que não é possível que as 14 universidades (públicas) em conjunto tenham 10% do empenho do MIT? Basta isso para que o nosso PIB aumente cerca de 15%! Certamente uma coisa para pensar. C


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