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Economia pode crescer acima de 1% em 2006

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Rudolfo Rebêlo Rui Coutinho  

OBanco de Portugal deverá rever em alta o crescimento da economia portuguesa já em Julho, e ontem Vitor Constâncio, governador do banco central elogiou a "determinação" e as "corajosas medidas" indiciadoras de "uma verdadeira consolidação orçamental", mas aconselhou o ministro das Finanças a "exercer o seu rigoroso magistério na contenção das despesas" do Estado "na parte final do ano".

Vitor Constâncio, ontem, na cerimónia de posse da administração do Banco de Portugal - Pedro Duarte Neves, ex-presidente da Anacom substitui António Marta como vice-governador do banco - após aconselhar Teixeira dos Santos a vigiar a contenção da despesa orçamental "na parte final deste ano" expressou o seu "apoio" para as medidas que Teixeira dos Santos "entender tomar" para controlar o défice. Alertou o governo, no entanto, que a consolidação exigirá "muita determinação".

O governador do banco central afirmou esperar pela "evolução do segundo trimestre" para avaliar "em definitivo se o crescimento poderá situar-se acima de 1%". A última previsão do banco apontava para um crescimento da economia de 0,8% em 2006. Mas ontem, Constâncio afirmou que uma recuperação mais rápida do investimento privado "do que aquela que está implícita nas previsões existentes" poderá conduzir "a um crescimento superior ao esperado".

Um anúncio que não surpreendeu Teixeira dos Santos, para quem o aumento da receita fiscal já "evidencia sinais positivos da recuperação da actividade". O ministro, à margem da cerimónia de posse da administração do banco central, voltou a recordar que o Executivo estima um crescimento de 1,1% do PIB e voltou a assegurar o objectivo de reduzir o défice orçamental para os 4,6%.

Crescimentos "a taxas mais normais no contexto europeu" só em 2008, diz Vitor Constâncio, quando se verificar a "dissipação de alguns efeitos negativos mais recentes. Para o governador, o período de fraco crescimento da economia não é explicado apenas pelos efeitos restritivos da consolidação orçamental sobre a a economia. Depois da "explosão da despesa interna" relacionado com as baixas taxas de juro , "temos estado também a sofrer os efeitos da inevitável desaceleração".

Após referir que a quebra do investimento foi acentuada pela queda de 20% em 2003, no investimento na habitação, também recordou que a "desaceleração da procura interna" desde 2001 "foi a maior de toda a área do euro". O que, para Constâncio, "está relacionado com a quebra de expectativas que acompanhou o eclodir da crise orçamental de 2002". As causas internas de desaceleração da economia foram acompanhadas, afirma, por "choques externos adversos", como os efeitos do alargamento e da globalização nas "quotas de exportações" nacionais ou "as consequências da evolução do preço do petróleo". C


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