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Elsa Costa e Silva e Susana Pinheiro Hernâni Pereira
OPresidente da República elogiou ontem o caminho traçado pelo Governo no domínio da ciência e investigação. "Portugal tem vindo a fazer nos últimos tempos a aposta correcta. É o choque tecnológico. É a aposta para a Ciência", afirmou Cavaco Silva, numa visita aos laboratórios Bial, que marcou o início do Roteiro para a Ciência.
O programa de visita a instituições científicas e de encontros com investigadores e empreendedores na área da biotecnologia termina hoje em Coimbra, depois de uma passagem pelo parque empresarial de biotecnologia, em Cantanhede. Dois dias para "valorizar o trabalho científico" e mostrar "as pessoas que trabalham para vencer as fronteiras do conhecimento e dão um contributo para o bem-estar da população".
Numa altura em que a competitividade do País está na ordem do dia, o Presidente da República assinalou a necessidade de combinar a criação de condições para atrair investimento estrangeiro com a aposta na geração de empresas nacionais de alta tecnologia. "Seria um erro pôr de lado o investimento estrangeiro", considerou Cavaco Silva. E, "para vencer hoje num mundo globalizado, é preciso criar capacidade competitiva", o que depende de dois factores: "Conhecimento e inovação", sentenciou o Presidente.
Este roteiro - que o Presidente levou a cabo pelo Norte e Centro do País acompanhado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago - tem por objectivo "evidenciar que Portugal tem gente de excelência, tem laboratórios e tem boas instituições". Contudo, o país tem ainda problemas na sua capacidade de manter em Portugal os recursos humanos que forma : 30% dos bolseiros portugueses de doutoramento no estrangeiro decidem não regressar nos anos seguintes. Uma "fuga de cérebros" que se deverá à falta de investimento público em investigação científica (cerca de 0,8%, ainda abaixo da média europeia), mas também de investimento privado. É que, salientou ainda o Presidente, "as empresas portuguesas investem apenas 0,3% em Investigação e Desenvolvimento", quando na Europa esse valor atinge o 1%.
O Presidente da República afirmou ainda a necessidade de trabalhar mais na passagem dos resultados das investigações desenvolvidas nas instituições científicas para as empresas, de forma a que possam gerar mais-valias para o tecido económico nacional. "Temos que estimular a cooperação entre a ciência e as empresas para se crie valor económico e social", afirmou. E, concluiu ainda: "Já existem incentivos para a investigação. Temos é dificuldade em perceber porque é que as empresas não aproveitam mais."
No final do dia de ontem, depois de uma visita à Universidade do Minho, Cavaco garantiu "sair daqui com mais confiança de que Portugal pode inverter o ciclo". Mais do que uma visita, o Presidente da República teve ontem a visão de um "Portugal novo, um Portugal diferente que os portugueses não conhecem ou, pelo menos, não conhecem bem".
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