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Alunos copiam mais nos países mais corruptos

por

Elsa Costa e Silva

André Carrilho  

Os países onde os alunos universitários mais admitem copiar nos exames são também aqueles onde o índice de corrupção é mais elevado. A associação entre corrupção no mundo real dos negócios e a fraude académica está traçada num estudo efectuado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), que avaliou 21 países, de quatro continentes. E os resultados mostram uma "forte correlação" entre as duas realidades.

Esta investigação - a de maior dimensão a nível mundial em número de países avaliados - inquiriu mais de sete mil alunos, dos cursos de Economia e Gestão. Aqueles que, salienta o trabalho de Aurora Teixeira e Fátima Rocha, serão os homens e mulheres de negócios do futuro e "potencialmente os líderes económicos e políticos".

E a questão, escrevem as autoras, é que se os mesmos padrões éticos prevalecem nos ambientes académico e de negócios, tendo em conta que os comportamentos passados predizem o futuro, "é provável que quem adopte actividades não éticas na sala de aulas as venha também a adoptar no mundo dos negócios". Por isso, o exercício de associação entre a percentagem de alunos que admite copiar (ver texto ao lado) e medidas de corrupção, como o Índice Internacional de Transparência.

As investigadoras destacam uma relação significativa, marcada por duas excepções (a Argentina e a Nigéria, ver caixa), na associação positiva entre os níveis de copianço de cada país e o índice de corrupção percebida. Assim, os países nórdicos, vistos como os menos corruptos do mundo, apresentam igualmente níveis baixos de incidência de fraude académica. É o caso da Suécia e da Dinamarca, avaliadas no estudo da FEP. Também as Ilhas Britânicas e a Nova Zelândia, que pontuam baixo no índice de corrupção, apresentam percentagens baixas de alunos que admitem copiar nos exames.

Portugal - onde 62,4% dos alunos universitários, à semelhança do que se passa noutros Estados da Europa do Sul, admitem copiar nos exames às vezes ou quase sempre - aparece também como um dos países onde a corrupção percebida é mais elevada. No topo da tabela que relaciona corrupção e fraude académica surgem países como Polónia, Roménia, Brasil, Eslovénia, Espanha e França.

Aurora Teixeira salienta que está já demonstrado que "a corrupção tem uma relação negativa com a competitividade das nações". E por isso, defende, as instituições de ensino têm que promover uma "educação cívica a este nível, promovendo comportamentos éticos que se possam transpor para o mercado de trabalho". É que, explica, a preocupação com a competitividade "tem que ser vista a montante", nomeadamente nos padrões éticos que são incutidos no sistema de ensino. E actualmente, a maior parte dos estudantes não vê o acto de copiar com um acto sério ou como um problema.

Por outro lado, a dimensão expressiva do fenómenos deixa adivinhar que as sanções que advêm deste acto não parecem ser desencorajadoras. Daí que, explica Aurora Teixeira, "não se prevê que a médio prazo a situação vá melhorar".


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