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A tendência de aumento do número de empresas falidas registou uma inversão. Em 2005, pela primeira vez em quatro anos, os casos de falência ou insolvência diminuíram significativamente, caindo 33%, o que representa menos 858 casos do que no ano anterior.
De acordo com um estudo sobre falências e recuperação de empresas do Instituto Informador Comercial (IIC), ao qual o DN teve acesso, houve 1747 acções deste tipo em 2005, número bastante inferior às 2605 observadas em 2004.
Dos vários tipos de acções, as insolvências foram as únicas que registaram um aumento, uma situação que o ICC desvaloriza. "Isso deve-se à entrada em vigor do novo Código das Insolvências, que adopta o conceito de insolvência, que é muito idêntico aos autos de falência e recuperação de empresas", afirmou ao DN Josué Mateus, director de operações do IIC. Na prática, "os conceitos são muitos semelhantes e conduzem, em mais de 90% dos casos, à efectiva falência da empresa".
Por sectores de actividade, foi nos sectores do comércio por grosso, indústria de construção civil e industria têxtil que se registaram mais casos de acções de falência/insolvência, com 296, 199 e 193, respectivamente. Contudo, estes valores estão consideravelmente abaixo dos registados em 2004.
No comércio por grosso, 296 empresas estiveram envolvidas em acções de falência no ano passado, o número mais elevado de todos os sectores analisados, mas que representa uma quebra de 30% em relação ao ano anterior.
"O comércio por grosso é dos mercados que mais sofrem com a pressão da grande distribuição, que a primeira coisa que elimina é o papel do grossista", destacou José António Silva, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).
Apesar da diminuição nos processos de falência, o responsável considera que "o sector continua a ter dificuldades e vão agravar-se". O mesmo se passa no comércio a retalho, "que escapa mais às estatísticas por ter muitas pequenas empresas familiares que fecham sem entrar no processo de falência". No geral, as perspectivas não são boas, já que "a oferta no comércio aumentou 50% e o consumo apenas cresceu 1%. Todos perdem nas vendas, mas a estrutura de custos é a mesma", frisou José António Silva.
Na construção, as falências chegaram às 199, menos 46% que em 2004. Ainda assim, a associação do sector faz uma análise negativa de 2005. "O mercado caiu 3% e este ano prevê-se uma quebra de 2,8%. Há menos investimento público e o segmento da habitação também tem descido", sublinhou Godinho Correia, director-geral adjunto da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS).
Quanto aos maiores aumentos percentuais, destacam-se os sectores de publicidade e da indústria farmacêutica, com acréscimos de 700% e 600% (embora em termos absolutos representem apenas 16 e 7 casos).
Do lado oposto, as diminuições mais significativas verificaram-se nos sectores das sociedades de financiamento e desenvolvimento, serviços prestados a empresas e serviços pessoais e domésticos, com decréscimos de 85,%, 76,92 e 72%, respectivamente. C
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