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Ana Tomás Ribeiro e Márcio Alves Candoso
Se fosse possível juntar todos os contributos relevantes para a poupança de energia, Portugal podia gastar menos 20% da energia consumida num ano. Só ao nível do petróleo a poupança poderia chegar aos mil milhões de euros, cerca de 25% do que é importado. A ideia foi transmitida pelos participantes no e último debate "Energia: que futuro?", uma parceria DN/TSF que vai hoje para o ar naquela estação de rádio. O tema final foi "Eficiência e poupança".
A ideia há muito instalada de que a energia é um bem de baixo custo tem vindo a constituir-se no principal entrave à instituição de políticas que promovam a eficiência e a poupança. É por isso também que os intervenientes no debate dizem que este é o momento próprio para "mudar de paradigma", já que é hoje incontornável a percepção colectiva, e de cada um, de que a era dos preços baixos acabou.
Uma das principais fontes de desperdício é a forma como se constrói e se dá uso aos edifícios, quer sejam de habitação quer estejam vocacionados para o sector de escritórios. A arquitectura termi- camente correcta, que fazia no passado com que visualmente fosse possível destrinçar se uma construção era originária da serra da Estrela ou do Algarve, foi abandonada nas últimas décadas. "Constrói-se tudo de igual modo", afirma Fernando Santo, bastonário da Ordem dos Engenheiros e um dos participantes no debate.
Chegou-se ao cúmulo, por exemplo, de construir edifícios de escritórios envidraçados e virados a sul, que depois necessitam de moduladores de temperatura que defendam os seus ocupantes do efeito de estufa. E se na indústria a evolução do consumo está estabilizada, no sector doméstico ele tem vindo a crescer 7% ao ano. Mas os intervenientes no debate lembram que há coisas bem simples que estão ao alcance de cada um, como seja mudar as lâmpadas incandescentes por outras de alto rendimento. Ou instalar painéis solares térmicos no telhado das casas, substituindo o gás ou a electricidade no aquecimento das águas. Jorge Morgado, da Deco, chama a atenção para a "mudança de mentalidades" que é necessário incutir nos consumidores.
As boas notícias neste capítulo vêm com o novo regulamento de construção de edifícios, que entrará em vigor já no próximo ano. Normas mais estritas em termos de isolamento térmico e a obrigatoriedade de instalação de painéis solares são ideias que merecem o aplauso dos especialistas.
Processo mais lento e mais complicado parece ser o da introdução de mecanismos de poupança no sector dos transportes. E aqui as culpas estão repartidas entre um urbanismo caótico, que leva as pessoas a viver longe dos seus locais de trabalho, e uma logística do sector que não criou, muitas vezes, os interfaces que convidem à utilização de transportes colectivos. O debate em torno da criação de desincentivos fiscais à utilização de viatura própria, por outro lado, criou divisão entre os participantes.
Mas se do lado da procura há ainda muito a fazer, a nova oferta também tem de mudar, sendo consensual a aposta crescente nas energias renováveis.
Colares Pereira lembra que Portugal "é um país rico nesta matéria", já que vento, sol e ondas de mar são coisas que por cá não faltam. E a tecnologia está perfeitamente ao alcance do estádio actual da indústria portuguesa. Difícil de entender é o retrocesso na aposta hidroeléctrica, onde Portugal chegou a ser um dos líderes mundiais. Vasco Coucelo refere a necessidade "de não limitar mas sim alargar" as opções possíveis de produção de energia. C
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