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Portais e imprensa, amigos ou inimigos?

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Ana Pago  

Dizer que é de amor-ódio a relação que une Google, Yahoo! e agências noticiosas à imprensa escrita tradicional pode parecer uma simples frase feita. Mas foi precisamente essa questão - Portais Web e Agências de Notícias: Novas Ameaças aos Jornais? -que lançou o debate sobre a progressiva adaptação do jornalismo aos hábitos de leitura dos internautas, no 59.º Congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN) e 13.º Fórum Mundial de Directores. O evento termina hoje em Moscovo. A discussão, com as suas diferentes percepções, continua em aberto.

Para a indústria ligada à imprensa tradicional, os portais de busca e respectivos serviços noticiosos estão a competir cada vez mais directamente com os jornais, contribuindo para uma redefinição do conceito de jornalismo, de audiências e da publicidade. Mas o contrário também é verdade, defende o responsável pelo Yahoo! News, Neil Budde, confiante numa "relação de simbiose" firmada entre ambas as partes.

"A nossa companhia não é ameaça para a imprensa escrita. As parcerias jornalísticas fazem parte da estratégia global do Yahoo! News", sublinha, garantindo não haver qualquer oposição entre os novos media e os media tradicionais. O director do Google News, Nathan Stoll, confirma a tendência, adiantando que o portal, no que à sua empresa diz respeito, "beneficia os websites noticiosos, os jornalistas e os leitores".

Muitas mais questões se colocam, depois, à medida que as tecnologias e a pressão do tempo vão influenciando o modo de ler jornais - resumido aos títulos e aos primeiros parágrafos e condensado numa ou duas ideias-chave. No entender dos responsáveis e de investigadores, a solução passa por entender a imprensa escrita como o início de algo mais, agregador, e não como fim.

"Os jornais de hoje serão os [agentes] agregadores de amanhã", sustenta Eli Noam, docente da Universidade de Columbia, apontando o The Washington Post como o melhor exemplo de um grande jornal com ligações a outras publicações exteriores - sobretudo a sites na Net.

"Leva os leitores a comentar os seus artigos e outros, muitas vezes convida-os mesmo a participar em debates online", explica Noam. E se a estratégia não terá reflexo na satisfação do leitor, pelo menos contribui para disseminar o "bom no-me" do jornal, com as contrapartidas que daí possam resultar.

A agência Reuters lançou recentemente um programa-piloto que permite aos blogues e a outras publicações digitais transmitir vídeos made by Reuters nas respectivas páginas web. Uma estratégia que, para o vice-presidente Dean Wright, se traduz numa rentabilização dos utilizadores e da publicidade. Pierre Louette, da AFP, resume a aliança: "É tempo de redefinir e enriquecer a relação entre agências e jornais."


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