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Artur Sardinha Rodrigo Cabrita
Ocombate ao congestionamento de trânsito nas grandes cidades passa por conciliar bicicletas e transportes, segundo atestaram numerosos especialistas e autarcas no decurso da iniciativa GlobalCity, ocorrida em Lyon. Além do descongestionamento de trânsito, conciliar estes dois meios de transporte pode ter benefícios ambientais, diminuindo a poluição do ar, referiram os mesmos especialistas.
O exemplo de Barcelona esteve em foco neste fórum de dezenas de urbes, com 1100 participantes, e em que as cidades portuguesas faltaram ao debate. A capital catalã dispõe de 120 quilómetros de ciclovias que, juntamente com os transportes públicos, registam já 75% das deslocações. Só 25% das ligações se fazem em automóvel particular (menos 30% que no passado recente).
No caso de Londres, foi apresentado um investimento fortíssimo para a fluidez e comodidade da frota de autocarros, a par das portagens à entrada do centro da cidade, o seu núcleo de negócios. A taxa aplicada começou por ser de cinco libras por dia e já vai em oito (equivalentes a 12 euros) e pretende impedir a asfixia da City, já que apenas em apenas 1,5% da área da cidade estão 25% dos postos de trabalho.
A importância da Global City decorre do simples facto de hoje 80% da humanidade viver em cidades, onde se exerce praticamente toda a actividade económica do planeta. Autarcas e planificadores urbanísticos tentam obviar a que tão intenso processo gere fractura social. O tempo é o dos serviços e obriga os estrategistas urbanos a preocupar-se com a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e a organização da cidade, no centro e na periferia. Tendências de pauperização podem surgir num ou noutra, conforme os casos. Preserva-se o património histórico, mas as novas tendências apontam ainda para monumentalizar os bairros novos, onde habitam tantos milhares.
E nasce alguma oposição entre os que preferem grandes centros comerciais nos arredores e quem opta por apoiar o comércio tradicional, rivalidade paralela à da antiga inserção em fortalezas industriais com os espaços de trabalho actuais, que convidam a sair à hora do almoço, para comer, passear, praticar desporto, consumir ou produzir cultura, porque na rua se passa grande parte da vida na cidade.
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