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Fenprof anuncia greve para este mês e pede demissão da ministra da Educação

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Pedro Sousa Tavares  

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que representa cerca de 70 mil docentes, vai convocar uma greve de um dia, a realizar até ao final deste ano lectivo. O anúncio foi feito ontem, no decurso de uma reunião extraordinária do conselho nacional deste sindicato, em que também foi pedida a demissão da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

A data desta paralisação ainda não tinha sido decidida ontem, mas será seguramente entre os dias 14 e 26. A Fenprof promete "tudo fazer" para tentar evitar uma coincidência de dias com os exames nacionais do secundário e do básico, que começam no próximo dia 19. No entanto, admite alguns constrangimentos de calendário, já que o mês de Junho tem vários feriados.

Na origem do protesto, segun- do explicou ontem o secretário-geral da Fenprof, Paulo Sucena, está a "doentia cruzada contra os professores" que disse estar a ser movida pelo Ministério da Educação. Nesta altura, um eventual acordo que anule a greve é considerado "quase impossível" pelo sindicato.

O sindicalista citou várias intervenções públicas da ministra - recentes e mais antigas - em que esta alegadamente questionava o empenho dos docentes, e contra-atacou, desafiando o primeiro-ministro, José Sócrates, a "libertar as escolas, os docentes, os pais" do que classificou como um "pesadelo absurdo, doloroso e corrosivo que, inusitadamente, vem minando os alicerces" do sector educativo.

Paulo Sucena recorreu mesmo a alguma dureza verbal para descrever o que considera ser o estado de espírito da sua classe profissional perante a atitude de Maria de Lurdes Rodrigues: "Os professores e educadores estão fartos dos descontrolados impulsos persecutórios da ministra da Educação de Portugal e não suportam mais o seu olhar de medusa", acusou.

As propostas do Ministério da Educação para o novo Estatuto da Carreira Docente - "alvo de uma esmagadora rejeição da classe" - também foram apontadas pela Fenprof como um motivo para a saída de Maria João Rodrigues: "É o momento oportuno para o primeiro-ministro afastar da 5 de Outubro a actual equipa ministerial, porque a educação anda nele à deriva."

Para a Fenprof, a proposta do ministério traduz-se numa "subversão total da imagem do sistema educativo". O sindicato aponta críticas a praticamente todos os capítulos do documento, desde o acesso à profissão, aos mecanismos de avaliação anual - "com mais de 21 itens" - e à progressão na carreira , que considera ser dificultada ao máximo e condicionada por quotas.

"O sistema prevê os dois níveis: professor e professor-titular, mas no máximo só um terço dos docentes pode aspirar a chegar a professor- -titular. As quotas não o permitem. É assim que se motivam os docentes?", questionou Paulo Sucena.

O sindicalista avisou ainda que o ministério "não se vai livrar" de outra paralisação em Setembro, "porque ninguém aguenta isto". Entretanto, anunciou um conjunto de acções de luta para o período que coincide com o Dia Mundial do professor, a 5 de Outubro. No imediato, estão a ser a preparados plenários e a nível local e "nas escolas que formam professores" .

Apesar deste quadro, a Fenprof promete negociar "até ao limite" o estatuto da carreira: "Uma coisa não impede a outra. Se o primeiro-ministro não demitir esta equipa, negociamos com ela."

O DN tentou, sem sucesso, obter um comentário do Ministério da Educação.


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