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Trabalho fora do País ajuda carreira dos mais jovens

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Diana Mendes  

Trabalhar em países estrangeiros é um sonho para muitos trabalhadores, uma necessidade para as empresas e um desafio incontornável quando se fala em multinacionais. De acordo com a Mercer Human Resource Consulting, a mobilidade laboral aumentou 44% em todo o mundo, fenómeno que se deve em grande parte às deslocações temporárias. Mesmo que a viagem seja curta, vale a pena tirar o máximo partido dela. Os empresários acreditam que é uma das alavancas mais eficazes na progressão da carreira.

Na Europa, as deslocações por longos períodos de tempo têm vindo a estabilizar, o mesmo não se passando com a mobilidade a curto prazo (seis meses a um ano) e no espaço de semanas. Portugal não foge à regra europeia, revelando alguma estabilidade nas suas deslocações. Para além de não ser atractivo para os trabalhadores estrangeiros, não segura os talentos, que partem para outros países em busca de progressão.

Paulo Machado, partner da Mercer, explicou ao DN que a mobilidade laboral pode ter vantagens em algumas fases da carreira. "Há poucas hipóteses de evoluir nas multinacionais a operar em Portugal, porque há um achatamento de funções. Por isso, quando se está no início de carreira, pode ser bom ir lá para fora. O know-how que se obtém é bom para o trabalhador e para a empresa". No topo de carreira, a situação é mais melindrosa, já que se corre o risco de vir desempenhar uma função com menos responsabilidade.

Para a empresa é importante "ter trabalhadores que conheçam várias realidades, a exigência e a inovação de outras culturas. Este trabalhador passa a ser um activo mais procurado", sublinha Paulo Machado. O estudo conclui que não há estatísticas conclusivas acerca dos custos e das vantagens de uma deslocação laboral. No entanto, 75% dos empresários contactados acreditam que os trabalhadores são geralmente beneficiados com uma promoção.

A expansão das empresas é a razão mais comum para enviar profissionais para o estrangeiro, tendo sido avançada por 73% das empresas. Metade dos questionados referiu também a necessidade de dar resposta a um projecto, somando-se a este argumento a necessidade de enviar para outros países técnicos e gestores com atribuições específicas. Por isso, não é estranho o crescimento das missões temporárias, refere a Mercer.

As mulheres têm vindo a ganhar peso entre os expatriados, sendo agora 13% do total, uma evolução que é mais notória nos países da América Latina. A tentativa de inculcar diversidade na gestão dos recursos humanos e o aumento de benefícios e apoios à mobilidade não são alheios a esta mudanças. Segundo o estudo, apenas 22% da empresas não oferecem prémios de mobilidade. A compensação pelas diferenças no custo de vida e da habitação no país receptor é um dos exemplos de apoio comuns a muitas multinacionais.

Habitual é apoiar os trabalhadores ao nível da sua integração cultural, refere Paulo Machado. "As diferenças culturais e na língua são os grandes problemas dos expatriados." E os benefícios são muitas vezes alargados à família do trabalhador, sempre que esta decide acompanhá-lo nesta aventura. Na Europa, 88% das empresas disponibilizam formação sobre a língua do país de deslocação e 77% fornecem cursos sobre a sua cultura. Antes de partir, vale a pena conhecer os planos da empresa para a sua deslocação. C


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