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João Pedro Oliveira e Paula Carmo
Anovidade é o grande critério: nos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, explica o director artístico, Pedro Costa, "pretende-se, antes de mais, oferecer possibilidades de descoberta de novas tendências e diferentes propostas." Uma missão pedagógica cada vez mais difícil de cumprir numa cidade onde o jazz tem recrutado um público militante e cada vez mais conhecedor. Mas a programação da primeira parte do festival, que esta noite (21.30) arranca no Teatro Gil Vicente - a segunda parte realiza-se em Novembro - promete não desiludir. O contrabaixista Mario Pavone é o nome mais sonante e próximo do mainstream, num cartaz que, apesar de curto, se estende por diferentes paisagens, do free jazz ao quase rock.
Com estes Encontros Internacionais, fica também dada a partida para o roteiro estival de jazz que, até finais de Agosto, propõe uma ementa para todos os gostos (ver caixa). Em Coimbra, o programa arranca com os IMI Kollektief, uma formação internacional como só as formações de jazz sabem ser: Alípio Carvalho Neto (sax tenor), Elsa Vandeweyer (vibrafone), Jean Marc Charmier (trompete, feliscórnio e acordeão), Adam Lane (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria). "Um jazz moderno, de recorte melódico e contrapontual", explica Pedro Costa.
"Mas também um jazz que se distancia daquele que se fará ouvir na segunda noite em proposta dupla", completa o director artístico. Porque o quarteto The Thing Vs Scorch Trio corresponde à fusão de dois trios da melhor produção escandinava: o The Thing, liderado pelo saxofonista sueco Mats Gustafsson, com a dupla rítmica norueguesa composta por Ingebrigt Haker Flaten (contrabaixo) e Paal Nielsen (bateria); e o Scorch Trio, que coloca o guitarrista finlandês Raoul Björkenheim à frente da mesma secção rítmica. No primeiro caso, explica Pedro Costa, vamos achar um som mais próximo do free jazz; no segundo, "uma mistura mais dura de jazz e rock". Entre ambos, a proposta de "uma noite mais apetecível para públicos sensíveis a experiências rock do que a um jazz mais confortável."
O quinteto do contrabaixista norte-americano Mario Pavone, "com o seu som mais tradicional, mas de beat muito forte", completa o cartaz que ao longo dos três dias ocupará o palco do Teatro Gil Vicente. Sobram depois as promissoras sessões after hours no salão Brasil, onde o quarteto liderado pelo contrabaixo de Adam Lane e o saxofone de Ken Vandermark se apresentam todas as noites do festival, pontualmente às 00.00. Um espectáculo para rever domingo em Lisboa, pelas 22.00, na Galeria Zé dos Bois.
A cidade do jazz
E é com esta programação que o JACC quer manter os encorajadores níveis de audiência de anos anteriores. De acordo com os inquéritos realizados pela organização em edições anteriores, o público chega maioritariamente de Braga, Lisboa, Porto, Aveiro, Leiria. Gente que se soma ao público residente, que há muito se habituou a conviver com o jazz. Nas já conhecidas "docas" de Coimbra, o Quebra Clube (situado no Parque Verde do Mondego), há concertos, de 15 em 15 dias, com músicos de todo o país. Também com a chancela do JACC, a primeira quinta-feira de cada mês é data marcada para espectáculo num dos centros comerciais da cidade.
Pedro Rocha Santos, director-geral do JACC, recorda que o jazz entrou em ebulição nesta cidade no ano 2000, quando um grupo de 45 adeptos do género - entre empresários, músicos e dirigentes associativos - resolveram trazer para Coimbra uma espécie de sucursal do Hot Clube de Portugal. Por falta de espaço e outras dificuldades logísticas, não foi possível concretizar a ideia, e avançou-se para a criação do JACC, que nasceria a 30 de Abril de 2003. A partir daí, "com o impulso da autarquia e da Coimbra Capital Nacional da Cultura", a coisa cresceu.
Desde então, o JACC conta já mais cem espectáculos no currículo, para além de uma série de concertos didácticos para crianças e jovens que, como aponta Rocha Santos, evidenciam "uma preocupação central com a aprendizagem e a formação de públicos". E com a divulgação também, pois aqui nasceu a Jazz.Pt, "actualmente a única publicação da especialidade no país." O sexto número - de Maio/Junho - já está nas bancas e faz precisamente a antevisão do festival que esta noite começa no Teatro Gil Vicente.
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