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por
Marina Almeida
O público que põe bandeiras nas janelas tem o direito de ser informado", diz Ribeiro Cristóvão, responsável pelo desporto da Rádio Renascença e uma das vozes mais críticas das regras impostas pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aos jornalistas que acompanham a selecção nacional de futebol.
Paulo Sérgio, subdirector de informação da RDP, não gosta, mas "percebe" que a Federação queira controlar a informação. No entanto, diz: "estamos a chegar a um ponto em que a informação é standard, é tudo igual" em que os meios têm todos acesso à mesma informação.
As relações entre a Selecção e a imprensa regem-se por um "plano de trabalho" elaborado pela FPF, "com base na informação que foi transmitida pela FIFA num workshop e adaptada à realidade de cada país", esclareceu ao DN Afonso de Melo, responsável do gabinete de imprensa da FPF.
Um dos pontos mais controversos do documento que estipula as regras a que os jornalistas têm que obedecer no relacionamento com selecção é a nota final segundo a qual a "assessoria de imprensa da Selecção Nacional - Clube Portugal (...) reserva-se o direito de retirar a acreditação a qualquer membro da comunicação social que não respeite o espírito de cooperação e saudável relacionamento de trabalho que presidiu à elaboração desta regulamentação".
Paulo Sérgio e Mário Fernando, editor de desporto da TSF, acreditam que só em casos de "atropelo descarado das regras" isso aconteça. Já para Ribeiro Cristóvão esta referência é "claramente" intimidatória para o trabalho dos jornalistas. O responsável da Renascença vai mais longe e realça que esteve em Saltilho no "pós-1976 onde as relações sempre foram muito difíceis, mas a FPF nunca se arrogou ao direito de cassar as acreditações". Também Miguel Barroso, subdirector de informação da RTP estranha esta nota, que pontua de "ilegal" por violar "uma série de leis, nomeadamente a Constituição e o acesso às fontes". No entanto, o elemento da direcção da RTP mais próximo dos eventos desportivos, diz que "só se intimida quem quer".
"É um documento bem feito", refere Paulo Rego, subdirector da agência Lusa. Este tipo de ressalva por parte das entidades organizadoras é "recorrente" (apontando como exemplos o Rock in Rio e o Estoril Open) e incide sobre "aspectos formais pois nunca a FPF pode retirar o estatuto de jornalista ou vedar o acesso aos locais".
De acordo com Afonso de Melo, "nunca se retiram acreditações por 'dá cá aquela palha' nem por escreveram coisas de que não gostamos". O assessor de imprensa da FPF rejeita qualquer "tentativa de censura".
A impossibilidade de os jornalistas fazerem entrevistas individuais aos jogadores é outra crítica apontada. Afonso de Melo considera que "censura seria [perante as dezenas de solicitações de entrevista] dizer quem pode ou não fazer a entrevista. Pomos todas as pessoas em condições de igualdade e as que tiverem mais capacidade farão melhor".
José Manuel Delgado, redactor principal d'A Bola aponta, em Portugal, uma "tendência para os regulamentos mais restritivos afastando os jornalistas dos jogadores" -, ao contrário do que se faz nos "grandes clubes europeus". Ribeiro Cristóvão aponta ainda a prática de o seleccionador nacional dar "entrevistas ao seu assessor" pessoal : "O senhor Scolari não responde ao que lhe perguntamos mas diz o que lhe apetece." Mais adiante conclui: Scolari "está a lidar com uma imprensa que é compreensiva e até muito generosa. Se estivesse em Inglaterra, Itália ou Espanha, seria bem diferente...".
Até ao fecho desta edição não foi possível ouvir Sport TV, SIC e TVI.
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