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Impala despede fumadores

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Ana Pago  

Cinco paginadores da Impala receberam ontem uma nota de despedimento da administração, provocando um "verdadeiro clima de terror" na empresa, disse ao DN uma fonte interna do grupo.

Fumadores, todos eles, os cinco profissionais garantem que "o curto intervalo" que faziam "a meio da manhã e da tarde", para irem à rua fumar (porque não podem fazê-lo dentro do edifício), foi a causa do seu despedimento. A empresa, porém, na nota de culpa enviada para as residências dos profissionais afectados, justifica a decisão com horários de trabalho não cumpridos.

A acusação, garantem os visados, é "totalmente falsa" e "despropositada". "Começaram por nós, com alegações absurdas e insustentadas, porque saíamos do edifício para ir fumar. Mas a verdade é que a coisa está longe de ficar por aqui", alertam.

"A reunião de directores que houve hoje [ontem] à tarde já ditou o fecho de outras três ou quatro secções até ao final desta semana. O que se traduz em perigo para cerca de 60 pessoas mais. O próprio [administrador da Impala] Jacques Rodrigues assumiu não saber o que vai fazer com elas", adiantou ao DN a mesma fonte, garantindo que o medo nasce "das ameaças, dos avisos e da vigilância paranóica" que se vive dentro do grupo.

Dividir para reinar

A queda de vendas de algumas publicações do grupo nos últimos meses - de acordo com os números oficiais obtidos pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragens (APCT) - terão servido, segundo as mesmas fontes, de motivação a um controlo cada vez mais rigoroso e apertado nas publicações da Impala: todos os computadores estão alegadamente equipados com sensores que monitorizam as ligações à Internet e com programas que investigam o software instalado (e utilizado), os telefones e e-mails estarão a ser vigiados, garantem.

Outra fonte interna do grupo, pedindo o anonimato com receio de eventuais represálias, referiu ainda ao DN a existência de uma norma que proíbe que os trabalhadores saiam do edifício, bem como a criação, por iniciativa da administração, "de um gabinete jurídico que lhes permite ter sustentação legal para os despedimentos, que passam então a ser feitos com justa causa".

Unidos na sua indignação face ao modo "obscuro e injusto" como o processo foi conduzido, os cinco paginadores prometem agora recorrer ao apoio do sindicato e não baixar os braços. "Há uma série de ilegalidades em causa, vamos lutar." O DN tentou ouvir a administração da Impala, mas tal não foi possível até à hora de fecho desta edição.

A Impala, sedeada em Sintra, edita títulos como Nova Gente, TV 7 Dias, Focus e Maria, entre outros.


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