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Ellipse Foundation abre centro de arte

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Paula Lobo  

Três anos e meio depois do arranque, a Ellipse Foundation Contemporary Art Collection mudou de rumo. De acervo construído para investimento, destinado a ser vendido ou doado a um museu ao fim de dez anos, passou a colecção que os donos querem preservar. Com quase 300 obras compradas por 10 milhões de euros e mais de uma centena de artistas, a fundação privada inaugura hoje, em Alcoitão, o seu Art Center. Para guardar e mostrar um conjunto único no País e ao mais alto nível.

Com projecto do arquitecto e curador Pedro Gadanho, um armazém com 20 mil metros quadrados (próximo do CascaiShopping) foi transformado num complexo com reservas, salas para reuniões e serviço educativo, e 10 salas de exposições - galeria para peças de grande formato, blackboxes para filmes e instalações, e espaços com pé-direito e áreas diferentes. Um investimento de quatro milhões de euros, no total.

"A lógica inicial está ultrapassada. As pessoas que aderiram ao projecto estão mais interessadas em manter a colecção e a fundação do que no próprio investimento", afirma ao DN João Rendeiro, presidente do Banco Privado e da Ellipse.

A fundação não reuniu, como se propôs, 40 investidores portugueses, espanhóis e brasileiros. Nem exige já a participação mínima de 250 mil euros. Mas as duas dezenas de investidores que aderiram - 80% portugueses, entre eles e com "posição de liderança" João Rendeiro, também coleccionador privado e mecenas de Serralves -, mantêm o tecto de 20 milhões de euros para aquisições. O objectivo não é uma "operação de venda ao Estado", ironiza, em óbvia referência à colecção Berardo.

Goradas as negociações com a Fundação de Serralves para depósito das peças, o Art Center fará "serviço público". Mas o seu público será o dos "interessados". Daí o grafismo do atelier M/M Paris, a futura integração numa rede de fundações privadas e a aposta nas residências (para já, com a escola Maumaus).

De Julião Sarmento e Cabrita Reis a Dan Graham, Douglas Gordon, John Baldessari, James Coleman, Hamish Fulton, Bernd & Hilla Becher, Cindy Sherman ou Gillian Wearing, esta é "uma colecção com obras de topo dos últimos 25 anos", diz ao DN Pedro Lapa, director do Museu do Chiado e, com Alexandre Melo e Manuel González (colecção JP Morgan), um dos curadores responsáveis pelas encomendas ou compras em galerias de Nova Iorque a Berlim, leilões ou feiras de arte.

As aquisições - disponíveis em www.ellipsefoundation.com - são debatidas com um conselho consultivo internacional, e "atendem aos desenvolvimentos mais relevantes da produção contemporânea, sem privilegiar qualquer mediumou os países dos autores", acrescenta Lapa, desvalorizando a polémica sobre a acumulação do cargo com a direcção de um museu nacional: "Essa questão está resolvida a nível de tutela. A colecção da Ellipse é internacional e a do Chiado é portuguesa".


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