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Carla Aguiar
Aeconomia criou mais 32 500 postos de trabalho entre Março de 2005 e o mesmo mês deste ano, mas essa evolução foi sobretudo impulsionada pelos contratos a prazo, que são agora mais 22 mil. Pela primeira vez em quatro anos os contratos de trabalho a termo cresceram mais do que os sem termo, com os primeiros a evoluírem 3,4% e os segundos apenas 2,5%. No total, o número de empregados cresceu 0,6%.
A criação de emprego não foi, no entanto, suficiente para absorver o aumento, em 50 mil indivíduos (0,9%), da população activa, nem do número de desempregados, que cresceu 4,1%, em termos homólogos. E a taxa de desemprego subiu 0,2 pontos percentuais para os 7,7%, de acordo com os dados trimestrais do desemprego, ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que estima agora em 429 700 o número dos desempregados.
Já em termos trimestrais, a leitura é inversa. A taxa de desemprego caiu 0,3 pontos percentuais face ao último trimestre do ano passado, o que representa um decréscimo de 3,9% no número de desempregados. Mas o número de empregados baixou 0,1%, o que pode estar relacionado com uma quebra de 0,4% na população activa no primeiro trimestre deste ano.
A redução da taxa do desemprego no primeiro trimestre tem um alcance importante, na medida em que tradicionalmente a tendência é inversa neste período do ano. Nos últimos 14 anos tal só ocorreu duas vezes, sendo que em 1998, o fenómeno estava ligado à Expo, e em 2004 ao campeonato europeu de futebol. Apesar da desaceleração no ritmo do crescimento do desemprego, tanto economistas como sindicatos consideram não ser ainda possível falar numa inversão da tendência de crescimento do desemprego. E alguns indicadores aconselham prudência. É o caso do desemprego de longa duração, que continuou a crescer tanto em termos homólogos como em cadeia, passando a taxa de desemprego de longa duração de 3,7% para 4,1%. Nesta situação - sem trabalho há mais de um ano -, estão mais 25 800 indivíduos do quem em igual período do ano anterior. Este aumento excedeu a redução de 5700 desempregados de curta duração.
Outro indicador preocupante é o do aumento do desemprego na faixa de idade acima dos 45 anos, que aumentou em quase 20 mil indivíduos, equivalendo a um crescimento de 20% em termos homólogos e de menos 0,3% em termos trimestrais. Nas idades compreendidas entre os 35 anos e os 44 anos também se registou uma subida de 1,4% . A excepção ocorre nos jovens até aos 24 anos, em que o desemprego regista uma quebra homóloga de 5,3% e de 5,9% em termos trimestrais.
Igualmente marcante é a evolução no desemprego feminino, que explicou, nada mais nada menos, do que 92,4% do aumento do desemprego total. Em Março deste ano estavam desempregadas mais 15 800 mulheres do que em igual período do ano anterior, levando a a taxa de desemprego feminina a passar de 8,6% para 9,1%.
Os serviços continuam a ser o único sector a criar emprego, tendo empregado mais 43 mil indivíduos. Já na indústria assistiu-se a uma redução de 4500, enquanto a agricultura e pescas sofreu uma quebra de 6 mil empregos. O desemprego aumentou em todas as regiões, com excepção do Algarve, em que baixou 1,1%, sendo que o maior acréscimo (0,6 pontos) ocorreu no Centro. O Alentejo continua a liderar, com 9,8%.
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