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Bairro da Torre passado a pente fino por 600 agentes

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Ana Mafalda Inácio Leonardo Negrão  

Dez detidos, 19 armas de fogo apreendidas, das quais 13 caçadeiras, uma pistola de nove milímetros, duas de calibre 6,35, 500 munições, 22 carregadores de nove milímetros e dois silenciadores. Este é o balanço da operação conjunta levada a cabo ontem pela PSP de Lisboa, Polícia Judiciária Militar (PJM) e Ministério Público ao Bairro da Torre, em Camarate, no âmbito do combate ao tráfico de armas. A "Operação Torre de Controlo" decorreu durante mais de cinco horas, envolvendo 600 agentes do Corpo de Intervenção, do Grupo de Operações Especiais e do Núcleo de Investigação Criminal e 150 viaturas.

Esta acção surge na sequência da investigação levada a cabo pela PSP de Lisboa, que há um mês levou à detenção de 29 pessoas, cinco das quais funcionárias da polícia. Mas não só. Na base desta estão também os vários processos nas mãos da PJM e que indiciam a existência de tráfico de armas de calibre de guerra naquela zona. Aliás, durante a manhã, chegou a ser afirmado por alguns elementos da polícia que teriam sido apreendidas armas de calibre de guerra, mas os dados da PSP não confirmaram isso.

Segundo explicou ao DN o subintendente Neto Gouveia, que coordenou a operação, "o balanço alcançado é positivo e a acção mostra o esforço feito por várias entidades policiais no combate a este tipo de crime". Por outro lado, sublinhou, o dia de ontem serviu igualmente para "garantir à população que a polícia está cá para dar segurança e que consegue entrar em locais que, à partida, muitos dizem estarem vedados às brigadas". O subintendente reforçou que o objectivo subjacente à acção no Bairro da Torre é o de servir o cidadão, "fazendo com que um maior número de armas saia de circulação".

200 mandados e só 138 buscas

De acordo com os dados provisórios divulgados pelo Comando Metropolitano de Lisboa já ao início da noite, foram ainda feitas 138 buscas domiciliárias, apesar de os magistrados terem chegado ao bairro às 07.00 munidos de 200 mandados de forma a poderem efectuar buscas em todas as casas.

Mas a "Operação Torre de Controlo" começou um pouco antes, por volta das 05.00, com o breefing para todas as forças que nela participaram. A chegada ao bairro deu-se antes das sete da manhã. As primeiras equipas a sair foram as do CI, que cercaram o bairro, impedindo que mais alguém entrasse ou saísse. Depois, avançaram as do GOE, que apoiaram os elementos do núcleo de investigação criminal da PSP, que actuava à paisana, e dos magistrados nas rusgas a todas as casas dos bairros. As equipas cinotécnicas da PSP também estiveram presentes para que, com o apoio dos cães, fosse possível detectar a existência de droga e de explosivos.

A ordem de retirada chegou ao terreno quando eram 12.15: as brigadas de apoio, CI e GOE, começaram então a descer o bairro em fila. A operação correu de forma pacífica. Mas, antes, agentes à paisana não escondiam alguma insatisfação. Esperavam encontrar mais.


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