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Manifestações de agricultores a favor e contra e as declarações do ministro Jaime Silva acabaram por marcar o último dia do périplo de José Sócrates pelo distrito de Bragança.
Em Vila Flor, José Sócrates e Jaime Silva, ministro da Agricultura, tinham à sua espera, dois grupos distintos. De um lado da rua estava um conjunto de dirigentes associativos transmontano, afecto à CAP, manifestando-se contra a política do Governo para o sector. Tinham cartazes a pedir que as dívidas sejam pagas e contestavam o novo plano de distribuição das ajudas. Do outro, elementos da Associação de Agricultores de Trás-os-Montes apoiavam Jaime Silva, também munidos de cartazes e bem dispostos para o almoço com o Governo. Tudo decorreu de forma pacífica, sem especial agitação.
Com os agricultores divididos, Jaime Silva desvalorizou as manifestações. Admitiu não ser normal haver um apoio expresso desta forma a um ministro, o que não deixou de definir como "gratificante", e considerou que os contestatários estavam ali " mandados" por lobbies avessos a mudanças, numa clara referência à CAP. "Custa sempre mudar, àqueles que estão acomodados", criticou.
O ministro explicou que a política actual passa por distribuir de forma mais justa as ajudas, que existem na forma de indemnizações compensatórias e medidas agro-ambientais. "Se temos x milhões para distribuir, temos que o fazer por todos os agricultores e todas as regiões. O que tínhamos até agora era que 1000 agricultores recebiam a maior parte desse dinheiro", afirmou, aconselhando os críticos a reflectirem melhor. "Não vai haver dinheiro para aqueles que fingirem que estão a produzir ou não respeitem as normas ambientais", frisou.
José Sócrates optou por salientar que a região pode continuar a apostar na agricultura e deu os exemplos dos sectores do azeite e do vinho. "Mas há prioridades. É preciso que haja uma dimensão média das propriedades e uma actuação em fileira, com os agricultores agrupados em associações e empresas. Só assim o desafio pode ser vencido", disse.
Em jeito de conclusão, o primeiro-ministro deu a garantia que os anúncios de investimento e apoio à região de Trás-os-Montes são mesmo para cumprir. "Os transmontanos estão fartos de promessas. Nós estudamos bem os assuntos, comprometemo-nos numa aposta que é justa e é uma causa nacional", disse José Sócrates, num balanço dos dois dias passados numa das regiões menos desenvolvidas do País.
Depois dos investimentos rodoviários terem dominado a chegada de José Sócrates a Bragança, o segundo dia foi dedicado ainda à água, uma área do Ministério do Ambiente cara ao primeiro-ministro, com a inauguração da barragem de Valtorno/ Mourão, que irá melhorar o abastecimento aos concelhos de Vila Flor e Torre de Moncorvo. Foi ainda apresentado o sistema de rega do Vale da Vilariça. A parte final foi dedicada à Saúde, em especial o apoio aos mais idosos, com a visita ao recente Centro de Saúde de Torre de Moncorvo (ver texto em baixo).
A barragem de Valtorno/Mourão. É uma das sete barragens do sistema multimunicipal gerido pelas Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, empresa constituída em 2001 quando José Sócrates era ministro do Ambiente. Engloba municípios de quatro distritos e o investimento total é de 350 milhões de euros ( foram já executados mais de 120 milhões). Dentro de dois anos deverá estar concluído e assegurar uma taxa de cobertura de 95% no abastecimento de água e de 86% no saneamento. Números suficientes para José Sócrates dizer que são "próprios dos países mais desenvolvidos da Europa e do mundo".
O primeiro-ministro lembrou que em 2001 a taxa cifrava-se em 60% no abastecimento e 30% no tratamento. " É muito difícil encontrar uma região que em tão curto espaço de tempo tenha dado um pulo como Trás-os-Montes e Alto Douro", afirmou.
Ontem foram assinados os contratos para mais duas barragens, mas o futuro da barragem do Sabor ainda está por definir, devido à queixa da Plataforma Sabor Livre que contesta a localização do projecto. Em Torre de Moncorvo, Aires Ferreira, autarca local, pediu aos ambientalistas que desistam da queixa.
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