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Ana Sá Lopes Rodrigo Cabrita
Cavaco Silva apelou ontem inúmeras vezes ao "diálogo" entre o Governo e os agricultores, ao inaugurar a Ovibeja, feira agrícola de Beja, para a qual o ministro da Agricultura não foi convidado. "As minhas palavras só podem ser no sentido de apelar a um entendimento, de apelar ao diálogo, que compreenda as dificuldades de cada uma das partes", disse o Presidente .
Numa visita amplamente festejada pela CAP (Confederação da Agricultura Portuguesa) que viu no acto um apoio às suas pretensões, Cavaco Silva afirmou estar "atento às preocupações dos agricultores" e a uma atmosfera "que favoreça o diálogo entre as partes", que o Presidente "acredita que é possível".
Interrogado sobre qual o seu papel na crise Governo-agricultores, Cavaco respondeu: "Prefiro dar o meu contributo ao apelar ao diálogo." Mas pediu uma "atenção especial para os que enfrentam dificuldades sem meios para as enfrentar". O Presidente aproveitou para "homenagear os agricultores portugueses que não têm fugido a esforços para conseguir vencer num mundo competitivo, global, o que nem sempre é fácil, atendendo à pequena dimensão da propriedade e às condições atmosféricas, que nem sempre são boas". No entanto, negou que, neste conflito, esteja favorável à posição da CAP e contra a do Governo: "O Presidente da República está ao lado de todos os portugueses e não ao lado de uma parte contra outra." Mas lá foi dizendo que "a agricultura precisa de um ambiente tranquilo, sereno, para que se enfrentem as dificuldades", recordou que "o ano passado foi um ano muito difícil com grandes prejuízos" e que é preciso "um esforço de todas as partes para que o sector ganhe confiança".
Sobre o facto de estar a inaugurar uma feira para a qual o ministro da Agricultura, Jaime Silva, não foi convidado, Cavaco Silva deu explicações reduzidas: "Fui convidado, aceitei o convite, estou acompanhado do secretário de Estado adjunto do ministro da Agricultura, o senhor ministro da Agricultura está neste momento a acompanhar o primeiro-ministro."
O Presidente prefere destacar outro significado: "É a minha pri- meira visita pelo País e tem algum significado, o de ter escolhido o Alen- tejo e a Ovibeja que é uma expres- são da identidade do Alentejo e, neste contexto difícil para a agricultura, um marco de vitalidade do sector".
Cavaco Silva vai chamar "roteiros" às suas "presidências abertas". A primeira está a ser preparada e será sobre a exclusão social, tema do discurso do 25 de Abril. "Não serão presidências abertas, serão roteiros. O meu objectivo é mobilizar a sociedade civil. Irei fazer visitas, ter encontros em diversos pontos do País com instituições que se preocupam com os diferentes tipos de exclusão".
Sem que seja interrogado sobre isso, Cavaco Silva faz questão de assinalar que o roteiro da exclusão não será um acto contra o Governo: "Não quero fazer um roteiro contra o Governo, mas com o Governo, também com instituições públicas que têm feito bom trabalho."
Cavaco Silva afirmou já ter debatido o "roteiro" com a UGT, a CGTP e a Associação Nacional de Municípios e tem recebido "indicações positivas". "Vou falar com associações empresariais também", afirma o PR, que diz querer "o envolvimento" de todos no combate à exclusão. "O meu objectivo é chamar todos. Uma destas noites vi na televisão um debate sobre a exclusão social. Só por isso valeu a pena a intervenção que fiz na Assembleia da República no dia 25 de Abril."
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