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Paula Cordeiro e Maria João Gago Nuno Fox
Aoferta em cima da mesa está praticamente morta". Foi desta forma que o presidente executivo do Banco BPI se referiu à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo Banco Comercial Português (BCP) sobre o seu banco, tecendo igualmente duras críticas às últimas declarações de Paulo Teixeira Pinto. Para Fernando Ulrich, o presidente do BCP "não tem currículo" para comentar as posições manifestadas pelos responsáveis dos accionistas do BPI, demonstrando "muita lata" e "falta de experiência nestas andanças" nos comentários que fez à posição da administração da sociedade visada. O BCP não quis reagir a estes comentários, mas o DN sabe que as afirmações causaram mal-estar junto dos responsáveis.
Referindo-se ao preço, Ulrich afirma que o valor apontado pelos analistas do Dresdner - 6,30 euros - é inaceitável, não reflectindo as sinergias de uma possível aquisição do BPI, mas apenas a avaliação do banco no final de 2006. "A 6,30 euros, eu, cidadão Fernando Ulrich, não vendo", afirmou, clarificando o alcance da afirmação. Reafirmando o apoio dos accionistas à posição do conselho de administração, Ulrich salientou que este suporte não se esgota nestes intervenientes, realçando a reacção positiva de colaboradores e clientes do BPI, "visíveis nos resultados do primeiro trimestre" e nos "inúmeros mails e contactos" recebidos.
Mas a conferência de ontem, convocada para a divulgação dos resultados trimestrais, ficou marcada pela dureza das palavras do presidente do BPI, dirigidas ao seu homólogo. Comentando as declarações de Paulo Teixeira Pinto sobre a posição dos accionistas do BPI, Ulrich foi duro : "Para quem chegou à gestão bancária há pouco mais de um ano, está muito atrevido".
Ulrich enunciou o nome dos representantes dos principais accionistas do BPI para concluir que Teixeira Pinto não está à sua altura. " O Dr. Roberto Setúbal (Itaú) tem um currículo que não sei se o Dr. Teixeira Pinto alguma vez irá ter". Confrontado com a afirmação do presidente do BCP, de que a administração do BPI terá reagido com emoção, Ulrich afirma "é preciso ter muita lata".
O responsável executivo do BPI foram ainda mais longe, ao referir-se ao facto do BCP, na última apresentação de resultados, ter marcado o início de um novo ciclo estratégico a partir de 2003, com a reestruturação da área seguradora. " O que aconteceu para trás parece que foi culpa do engenheiro Talone", remata. Classifica mesmo como uma "deselegância" para com Jardim Gonçalves, o facto de Teixeira Pinto "ter apagado os 18 anos de história do BCP". "Isto não se faz", considera.
Num tom irónico, congratula-se com a referência ao ano de 2003 como o início da criação de valor para o BCP, uma vez que "foi o ano em que o BPI entrou no seu capital".
Quanto às críticas ao mecanismo de blindagem de estatutos aprovado na última assembleia geral do seu banco, Ulrich esclarece: "No BPI, primeiro compra-se e depois adquire-se direitos de voto. No BCP, os accionistas não sabem com quanto é que votam", numa clara alusão às diferentes formas de blindagem. "Não reconheço autoridade moral ao Dr. Paulo Teixeira Pinto para fazer comentários sobre o BPI".
No banco que lidera, Ulrich diz que "não há regras específicas de incompatibilidades para participar nos órgãos sociais", uma prática corrente no BCP que, no entender de Ulrich, "afasta a procura de acções" desta instituição. C
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