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José Carlos Abrantes provedor2006@dn.pt
O leitor António Dias escreveu ao provedor: "Leio a edição electrónica do DN. Nesta, é publicado, sem indicação de que se trata de publicidade, um artigo que, objectivamente, o é, intitulado A arte de bem receber num espaço de qualidade." O artigo é assinado por Luís Manuel Cabral e foi inserido no caderno Economia do dia 7 de Abril. Duarte Calvão, o editor, respondeu: "Como responsável editorial pela página Lazer, onde saiu o referido artigo, considero que a interpretação do leitor, apesar de compreensível, não é correcta. É compreensível porque este tipo de secções (tal como a Boa Vida, de que também sou responsável) procura dar indicações claras ao leitor sobre lugares concretos como restaurantes, hotéis, lojas, etc. Ou recomenda vinhos, alimentos, passeios. Com telefones, moradas, preços e tudo o que ajudar o leitor a, no caso de o desejar, seguir a sugestão. Por isso, está numa zona de 'fronteira' deontológica, onde vale sobretudo a credibilidade de quem escreve e do próprio jornal.
Para ser publicidade, teria que ter algum tipo de contrapartida financeira, o que obviamente não aconteceu neste caso, como nunca aconteceu nos mais de sete anos de página Boa Vida. Ou então a contrapartida poderia ser um convite para uma estada num hotel, uma viagem, um presente. Também não foi o caso e sempre que alguém escreve nestas páginas depois de ter sido convidado para, por exemplo, conhecer um hotel sobre o qual poderá escrever ou um jantar num restaurante que está a apresentar novos pratos, esse facto é referido no artigo. A interpretação do leitor é também compreensível porque a linguagem utilizada pelos jornalistas destas secções por vezes foge para a adjectivação, saindo da 'secura" informativa que outro tipo de textos jornalísticos implica. Mais uma vez reconheço que estamos numa 'zonaderisco' e, embora procure dar sempre prioridade à parte informativa (como aliás o artigo em causa demonstra), certos títulos ou expressões mais apelativas podem ser mal interpretados. Mais uma vez vale a credibilidade do jornalista e do jornal. E como em mais de sete anos a escrever sobre estes assuntos no DN é a primeira vez que alguém acusa estas secções de 'publicidade encapotada', penso que a grande maioria dos leitores compreende as especificidades deste género de jornalismo."
A resposta do editor Duarte Calvão assume que a imprensa, neste sector, exerce a sua actividade numa zona de risco. Neste como noutros terrenos, existem caminhos para a superação desses riscos elevados. Um deles é assumir regras internas que permitam aos leitores conhecerem os limites éticos e deontológicos em que se movem os profissionais da informação. Os livros de estilo ou códigos de ética são peças indispensáveis para que a deontologia seja assumida pelos profissionais e para que os leitores melhor se possam apropriar da informação. Ora, no DN, não existe uma versão actualizada do livro de estilo, o que diminui a coerência do trabalho dos jornalistas, complica a leitura da informação pelos leitores e dificulta o trabalho do provedor.
O editor compreende o que incomoda o leitor, felizmente. De facto, o tom da peça não sugere aos leitores qualquer distância ou apontamento crítico em relação ao local descrito, a Quinta do Roseiral. Os leitores entram numa narrativa que deixa a ideia de que, se há paraíso, deve ser semelhante ao espaço a que se refere a notícia. "Extensos jardins de Inverno", "cascatas", "lagos", "floresta", "reserva ecológica" e até "viveiros de aves exóticas", dão ao local uma imagem idílica. Mas é para que bolsas? O atendimento é melhor que noutros locais do mesmo tipo? Os acessos são fáceis? Que públicos vão sentir-se bem neste espaço? Disso nada sabemos. Como também desconhecemos se clientes que organizaram algum evento ficaram plenamente satisfeitos ou têm reservas a fazer sobre os serviços.
Este tipo de jornalismo é, nos dias de hoje, indispensável para ajudar os cidadãos a decidir sobre os seus lazeres ou mesmo sobre eventos ligados à profissão. Mas deve incluir elementos avaliativos que permitam aos leitores juízos informados de aproximação ou afastamento e não apenas um impulso para o consumo.
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