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Título chegou de 'penalty' em noite de desperdício

por

António Pedro Pereira  

Não era preciso chegar-se ao minuto 83, em que o speaker do Penafiel anunciava já o título do FC Porto; ou ao minuto 89, em que a euforia empurrou os adeptos para uma festa precoce no relvado que interrompeu o jogo por dez minutos. A diferença da classificação à partida - o mais que provável campeão e o lanterna-vermelha - sentiu-se em cada minuto do jogo que consagrou, como se esperava, o novo campeão nacional. O FC Porto ganhou, com um golo de penalty (forjado por Ibson, aproveitado por Adriano), e fez a festa em Penafiel, numa noite em que (sobretudo) McCarthy se fartou de falhar golos.

Imune à emoção da maré azul que inundou o Estádio 25 de Abril, a equipa do FC Porto obedeceu aos seus genes, ao melhor do seu reportório, para atacar os três pontos que garantiam, desde logo, o título: pressão acentuada, ainda no meio-campo adversário, circulação rápida de bola - e ontem Ibson, trabalhador refinado, potenciou este expediente - e muitos remates. Voltou a aproximar-se da trintena de disparos e acabou, de forma algo irónica, a só conseguir bater Nuno Santos (que pode reclamar grande parte da responsabilidade, pela eficácia do desempenho) de penalty, no reinício do jogo.

Antes, ficou uma mão-cheia de ameaças de golo, como um canto olímpico (directo) de Jorginho na barra, três situações privilegiadas de McCarthy desperdiçadas e algum amolecimento pelo tardar da vantagem. No meio disto, o Penafiel saiu do papel de figurante por duas vezes: Bruno Amaro conseguiu espaço na área para rematar, mas atirou ao lado; Jorginho antecipou-se, num livre de Amaro, e cabeceou para a baliza, surgindo Pepe (como quase sempre) a limpar em situação de emergência (Helton teria poucas hipóteses de parar a bola). E foi praticamente tudo o que fez o Penafiel para afrontar o líder da Liga, o que nem fura muito a lógica para a única equipa que já sabe, desde há duas semanas, que vai jogar na Liga de Honra na próxima época.

Após o intervalo, e a rábula do penalty que Ibson conseguiu impingir a Augusto Duarte (o brasileiro encenou bem a falta, promovendo o contacto com Nuno Diogo ao arrastar as pernas, esperando a chegada do defesa penafidelense), o FC Porto entrou na onda do título, a que nem o speaker escapou. A bola ia chegando à baliza de Nuno Santos, a bola ia saindo dos pés de McCarthy para fora, ou para boas defesas do guarda-redes, ia passando na frente, ao lado ou por cima da baliza penafidelense, fosse ela atirada por Adriano, Meireles ou Ibson, e nas bancadas começavam os festejos e os cânticos de campeões.

Com este ambiente dentro do relvado, e o speaker a lembrar através do sistema sonoro que, com aquele resultado, "o título do FC Porto estava a chegar", acabou por ser quase inevitável que a festa transbordasse o relvado. Hugo Almeida foi apanhado em fora de jogo, os adeptos entraram em jogo: por trás da baliza de Helton, onde estavam as claques portistas, saltavam como cogumelos para o relvado, obrigando atletas, treinadores e árbitros a fugir para os balneários. Alguns, como Ibson, ficaram muito irritados, outros, como Pepe e Adriano, despidos. Augusto Duarte apelava ao recomeço e, após dez minutos de negociações com os adeptos, o jogo lá recomeçou. Mas apenas para dar lugar à festa legítima, quando três minutos depois acabou de facto o jogo.

O 21.º título do FC Porto está garantido a duas jornadas do fim.


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