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O primeiro-ministro, José Sócrates, considera que Portugal deveria desencadear um "debate racional" sobre a energia nuclear, à semelhança do que ocorre em vários países europeus, perante o agravamento da crise energética a nível mundial.
Para Sócrates, verifica-se uma "mudança de contexto" que obriga a uma reflexão sobre os desafios com que o País se confronta no sector da energia.
A nova escalada do preço do crude nos mercados internacionais e o previsível esgotamento das reservas foram apenas dois dos aspectos que o chefe do Governo referiu, durante um encontro promovido pelo Courrier Internacional, quinta- -feira à noite em Lisboa.
Entre os outros factores apontados por Sócrates, encontra-se a elevação dos níveis de segurança nas centrais nucleares nas últimas duas décadas, após o acidente de Chernobyl, e a percepção crescente na generalidade dos países de que a energia se tornou numa questão central de soberania e que, por isso, é necessário garantir con- dições de segurança no acesso às fontes energéticas.
O primeiro-ministro lembrou que países como a Grã-Bretanha relançaram o debate público sobre a energia atómica. E recordou ainda que um outro país europeu (a Finlândia, que não nomeou) está neste momento a construir uma central nuclear.
Sócrates insistiu na ideia de que as suas palavras, apontando para a necessidade de o assunto ser debatido, prendem-se com o agravamento da crise no sector, que poderá, a prazo, conduzir a "situações extremas".
O primeiro-ministro tinha reafirmado, em Fevereiro, no Parlamento, que a questão nuclear "está fora da agenda do Governo". A questão fora suscitada pela iniciativa de um grupo liderado pelo empresário Patrick Monteiro de Barros, que se propõe construir uma central nuclear em Portugal, pelo que aguarda uma clarificação da posição do Governo até 2007.
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